Ricardo Rodrigues vai ser julgado por prevaricação e abuso de poder
2 de jul. de 2024, 08:59
— Lusa/AO Online
De
acordo com a informação disponibilizada no sítio na Internet da
Procuradoria da República da Comarca dos Açores, o Tribunal da Relação
de Lisboa reverteu a deliberação do juiz de instrução criminal de Ponta
Delgada que tinha decidido não pronunciar o autarca por aqueles crimes.Além
de Ricardo Rodrigues, vão ser ainda julgados outros dois arguidos,
sendo um deles vereador na Câmara de Vila Franca do Campo, na ilha de
São Miguel.A decisão surge depois de o
Tribunal da Relação de Lisboa ter dado provimento ao recurso apresentado
pelo Ministério Público (MP).“O Tribunal
da Relação de Lisboa julgou procedente o recurso interposto pelo MP e,
em consequência, revogou a decisão recorrida, determinando a sua
substituição por outra que pronuncie os arguidos pelos factos constantes
da acusação deduzida pelo MP, para julgamento em processo comum”, lê-se
na nota.O acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa data de 08 de maio, segundo a Procuradoria da República.A 03 de agosto de 2022, o MP acusou o presidente da Câmara de Vila Franca do Campo dos crimes de prevaricação e abuso de poder.Segundo
um despacho a que agência Lusa teve acesso, em causa está a concessão
da exploração de um espaço destinado à restauração a uma associação
constituída pelo irmão do presidente da autarquia, Luís Rodrigues, e
pelo marido da ex-vereadora socialista Nélia Guimarães.Nélia Guimarães e o ainda vereador na autarquia Carlos Pimentel estão igualmente acusados daqueles crimes pelo MP.O
caso remonta a 2018, quando a Procuradoria-Geral da República abriu um
inquérito sobre a concessão de um espaço de restauração construído pela
Câmara de Vila Franca do Campo à Associação Amigos de
Vila Franca do Campo.De acordo com o
despacho, entre finais de 2017 e início de 2018, os quatro
intervenientes “delinearam um plano” para que a concessão do espaço de
restauração da Rotunda dos Frades fosse “assegurada” a Luís Rodrigues.A 07 de novembro de 2022, Ricardo Rodrigues pediu abertura de instrução
no processo em que está acusado dos crimes de prevaricação e abuso de
poder, justificando com a "falta de fundamento da acusação".O
Tribunal de Instrução de Ponta Delgada decidiu não pronunciar os três
arguidos a 09 de outubro de 2023, uma decisão agora revogada pela
Relação de Lisboa.