Ribeira Grande lidera incidência de crianças e jovens em potencial perigo
Hoje 09:44
— Filipe Torres
Os Açores registaram uma taxa de incidência de 5,38 por cada 100
crianças em situação de potencial perigo e de 1,34 por cada 100 crianças
em situação de perigo confirmado, segundo dados do “Relatório anual de
avaliação da atividade das Comissões de Proteção de Crianças e Jovens
(CPCJ) instaladas na Região Autónoma dos Açores - 2025”, realizado pelo Comissariado dos Açores para a Infância (CAI).Por concelhos, a Ribeira
Grande apresenta a taxa de incidência mais elevada em situações de
potencial perigo (14,79 por cada 100 crianças), correspondendo a 1073
casos sinalizados, sendo o concelho com maior número absoluto nesta
categoria. Seguem-se Ponta Delgada, com 952 situações de potencial
perigo e uma taxa de 7,93, e a Povoação, com 136 casos e uma taxa de
13,82. No conjunto da Região Autónoma dos Açores, registaram-se 3292
crianças e jovens em situação de potencial perigo, traduzindo uma taxa
de 5,38 por cada 100 residentes até aos 18 anos, sendo que Ribeira
Grande (14,79), Povoação (13,82), Vila Franca do Campo (8,03), Ponta
Delgada (7,93), Lagoa (6,79), Angra do Heroísmo (5,91) e São Roque do
Pico (5,59) foram os concelhos com taxa de incidência acima da média
regional.No que se refere ao perigo confirmado, Vila Franca do Campo
apresenta a taxa mais elevada (2,99), com 57 casos confirmados,
enquanto Ponta Delgada regista o maior número absoluto, com 300
situações de perigo confirmado e uma taxa de 2,50. Seguem-se a Ribeira
Grande, com 110 casos confirmados, e Angra do Heroísmo, com 116 casos. No
total regional, foram identificadas 786 situações de perigo confirmado,
correspondendo a uma taxa de 1,34 por cada 100 crianças, sendo que Vila
Franca do Campo (2,99). Ponta Delgada (2,50), Lagoa (2,25), Angra do
Heroísmo (2,07), Vila do Porto (2,02), Santa Cruz das Flores (1,82),
Madalena (1,78), Velas (1,73) e Ribeira Grande (1,52) foram os concelhos
com taxa de incidência de casos confirmados acima da média regional.Processos ativos no fim de 2025 aumentam face a 2024Em
2025, as CPCJ dos Açores registaram 3385 processos, dos quais 1014
transitaram do ano anterior, 1938 foram abertos e 433 reabertos. No
mesmo período, foram arquivados 2145 processos e transferidos 31,
totalizando 2176 processos saídos. Entre os concelhos com maior
volume de processos, destacam-se Ponta Delgada (964 processos), Ribeira
Grande (655) e Angra do Heroísmo (539).Por outro lado, concelhos como
Corvo (2 processos), Lajes das Flores (4) e Calheta (27) apresentam os
menores valores de processos.No que respeita aos processos saídos,
foram registados 2176 processos, ligeiramente acima dos 2142 de 2024. A
31 de dezembro de 2025, encontravam-se 1181 processos ativos, face a
1018 no ano anterior. Os valores mais elevados registaram-se em Ponta
Delgada (300 processos ativos) e Ribeira Grande (165), seguidos por
Lagoa (119) e Vila Franca do Campo (78) .Mais processos e maior pressão sobre o sistemaNo
relatório, o CAI explica que, no conjunto, os dados evidenciam um
sistema sob crescente pressão, com mais processos a entrar do que a sair
e um aumento significativo dos processos ativos, sugerindo maior
complexidade das situações acompanhadas e maior exigência sobre as CPCJ.
Além disso, o Comissariado realça que uma mesma criança ou jovem pode
ter mais do que um processo no mesmo ano, o que explica a diferença
entre o número total de processos entrados e o número efetivo de
crianças acompanhadas.Dado isso, em 2025, os 3385 processos
corresponderam a 3292 crianças e jovens, tendo sido deliberada a
abertura e instrução de 2161 processos, dos quais resultaram 859 medidas
de promoção e proteção, sendo que 776 medidas eram não cautelares e 83
medidas cautelares.Das 2572 comunicações, houve uma predominância
das forças de segurança (41%), seguindo-se as comunicações anónimas e os
estabelecimentos de ensino. O CAI realça que a negligência e a
violência doméstica mantiveram-se como as tipologias de perigo mais
frequentemente comunicadas.Sobre os principais motivos do
arquivamento de 2145 processos, há uma predominância dos arquivamentos
porinexistência de legitimidade (39,7%) e por remessa ao Ministério
Público (32,7%).Segundo o CAI, estes dados “revelam a necessidade de
qualificar as sinalizações e reforçar a articulação com asentidades de
primeira linha, prevenindo a abertura de processos indevidos, assim como
de promover estratégias de mediação familiar e envolvimento parental,
reduzindo a judicialização evitável”.