Revogação da taxa turística nos Açores publicada em Diário da República
11 de jan. de 2023, 12:38
— Lusa/AO Online
A 15 de dezembro a Assembleia Legislativa dos Açores aprovou uma proposta
do Chega para revogar o decreto legislativo que previa a entrada em
vigor de uma taxa turística regional a partir de 01 janeiro de 2023.A
iniciativa teve 20 votos a favor do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
um do Chega, um da Iniciativa Liberal (IL) e um do deputado independente
Carlos Furtado (ex-Chega) e 24 votos contra do PS, dois do BE e um do
PAN (Pedro Neves).A criação de uma taxa
turística nos Açores foi aprovada em abril de 2022, no parlamento
regional, com 29 votos a favor: do autor da versão inicial do documento,
o deputado único do PAN Pedro Neves, do PS (25 deputados), do BE (2) e
do deputado independente Carlos Furtado (ex-Chega).O
deputado da Iniciativa Liberal (IL) Nuno Barata, o deputado do Chega
José Pacheco e as bancadas dos partidos do Governo (PSD/CDS-PP/PPM), que
somam 28 parlamentares, votaram contra.O
decreto legislativo regional que cria a taxa turística regional explica
que o objetivo era o "financiamento de utilidades geradas pela
realização de despesa pública com atividades e investimentos
relacionados com a atividade turística, com especial enfoque nas zonas
de maior procura e afluência turística".Assim,
os turistas que visitassem os Açores iriam pagar uma taxa turística de
um euro por dormida (até quatro noites) ou dois euros por desembarque em
portos.O diploma determinava a cobrança
de uma taxa de um euro por dormida aos hóspedes “sem domicílio fiscal na
Região Autónoma dos Açores”, com idade igual ou superior a 14 anos, que
ficassem em “empreendimentos turísticos, estabelecimentos de alojamento
local, parques de campismo ou parques de caravanismo”.Estavam
igualmente abrangidos os passageiros, sem domicílio fiscal na região e
com idade igual ou superior a 14 anos, que desembarcassem de navio de
cruzeiro ou embarcações de recreio em escala nos terminais do
arquipélago.A taxa de dormida seria
cobrada “até um máximo de quatro noites seguidas”, independentemente de o
turista visitar uma ou mais ilhas.Entre 01 de novembro e 31 de março, a taxa teria uma redução de 50%.Estavam
isentos desta taxa hóspedes cuja estadia seja motivada por tratamentos
médicos, atletas e membros de clubes desportivos em deslocações para
prática desportiva, hóspedes desalojados ou despejados, estudantes que
se desloquem por motivos académicos e pessoas com deficiência ou
incapacidade para o trabalho igual ou superior a 60%.Os
montantes cobrados seriam destinados à Direção Regional do Ambiente,
que os deviam utilizar “para apoiar projetos de entidades, públicas ou
privadas, que tenham como objetivo a preservação ambiental”.A
medida foi contestada por associações empresariais e por associações
ligadas ao turismo, assim como a Associação de Municípios dos Açores,
por considerar que a cobrança de uma taxa turística era da competência
das autarquias.O presidente do Governo dos
Açores, José Manuel Bolieiro (PSD), defendeu em dezembro que esta “não
era a melhor” altura para criar uma taxa turística regional.