Revisão do Parque Marinho dos Açores é “marco significativo” na proteção e valorização
17 de out. de 2024, 15:15
— Lusa/AO Online
“Atualmente,
menos de 5% do mar dos Açores tem algum tipo de proteção legal, onde
grande parte das Áreas Marinhas Protegidas permanecem sem uma gestão
efetiva ou regulamentada”, disse Mário Rui Pinho.O
governante falava no parlamento regional, na Horta, na apresentação da
proposta do Decreto Legislativo sobre a segunda alteração ao Decreto
Legislativo Regional que estrutura o Parque Marinho dos Açores.Segundo
o titular da pasta das pescas, a revisão do Parque Marinho e a
designação da Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA)
“representam um marco significativo na proteção e valorização do
património marinho, alinhando-se com as metas nacionais e internacionais
estabelecidas para a conservação da biodiversidade marinha para 2030”.Na
sua opinião, o diploma proposto pelo executivo PSD/CDS-PP/PPM “dará
resposta a essas obrigações e compromissos, quer contribuindo para que o
Estado Português cumpra os seus compromissos internacionais, quer como
propósito para a política da autonomia administrativa de conservação
ambiental marinha”.“O novo Parque Marinho
dos Açores contemplará Áreas Marinhas Protegidas Oceânicas, permitindo
salvaguardar 30% do mar açoriano, sendo metade dessa área totalmente
interdita a qualquer atividade extrativa”, explicou.Mário
Rui Pinho disse também que a “abordagem equilibrada” visa conciliar a
proteção ambiental com as necessidades socioeconómicas da região,
“integrando na proposta as melhores práticas internacionais para a
classificação e para a implementação de Áreas Marinhas Protegidas”.O
documento é o resultado do “melhor conhecimento científico disponível e
de um processo participativo, inédito em Portugal”, que envolveu a
comunidade científica, os setores económicos e a sociedade civil, “num
verdadeiro exercício de cocriação”, indicou.“É
crucial entender [que] as Áreas Marinhas Protegidas não são apenas
instrumentos de conservação. Elas são ferramentas poderosas para a
recuperação e valorização da biodiversidade marinha, a partir das quais
podemos criar uma verdadeira economia azul”, vincou.Na
sua intervenção, também referiu que o mar dos Açores constitui cerca de
55% da área de jurisdição marítima nacional e abrange cerca de um
milhão de quilómetros quadrados. “Este
vasto espaço marítimo que circunda o arquipélago detém uma
multiplicidade de recursos naturais, sendo, cada vez mais, reconhecido
como um vetor estratégico, fundamental para o desenvolvimento
socioeconómico da nossa região e do país”, disse.Acrescentou
que a ciência mostra a “urgência de proteger o oceano”, pois cada ano
de inação “equivale a uma perda de valor, com impactos em todos os
setores ligados ao mar”.“Atualmente, menos
de 5% do mar dos Açores tem algum tipo de proteção legal, onde grande
parte das Áreas Marinhas Protegidas permanecem sem uma gestão efetiva ou
regulamentada”, especificou.E admitiu:
“Mesmo sendo expectável que a implementação desta proposta implique
impactos no setor da pesca, é importante notar que os benefícios
económicos das Áreas Marinhas Protegidas superam, a médio e longo prazo,
qualquer restrição parcial das atividades, sendo um instrumento
incontornável para a sustentabilidade e sobrevivência do setor”.O
Governo Regional “já se comprometeu com o estabelecimento de mecanismos
de apoio à retração da atividade, garantindo que a transição seja justa
e equitativa”.A concluir, o governante
assumiu que os Açores “têm uma oportunidade única de se destacar como um
exemplo nacional e internacional de liderança na proteção e gestão dos
recursos marinhos”.