Revisão da lei laboral vai “a meio do jogo” e PR terá de analisar diploma final
Hoje 16:26
— Lusa/AO Online
Maria
do Rosário Palma Ramalho falava no final da conferência de imprensa da
reunião do Conselho de Ministros, que aprovou a proposta de lei de
revisão da legislação laboral.“Temos aqui,
como disse, um jogo com duas metades. A primeira metade já foi
decorrida, foi a fase da concertação social. Agora vamos à segunda, que é
naturalmente a fase parlamentar”, disse, recusando classificar, desde
já, este processo como um insucesso.A
ministra apelou aos partidos, sobretudo PS e Chega, que olhem de “forma
não preconceituosa” para a proposta de lei do Governo – que chegará ao
parlamento “muito brevemente, nos próximos dias”.Questionada
se o processo de negociação parlamentar não pode ser uma perda de
tempo, uma vez que o Presidente da República disse que vetaria a lei se
esta não tivesse acordo da UGT, a ministra manifestou outro
entendimento.“O senhor Presidente da
República naturalmente terá que tomar as suas decisões dentro das suas
competências constitucionais, perante o texto que lhe chegar, que já não
é neste momento o texto do anteprojeto sobre o qual se pronunciou ainda
como candidato”, afirmou, referindo-se a palavras proferidas por
António José Seguro durante a campanha.Por
outro lado, assinalou, provavelmente a versão que sairá do processo
parlamentar também será diferente, uma vez que o Governos se diz “aberto
a negociações”.“O Governo está
absolutamente confiante e isso não belisca em nada as relações
institucionais muito cordiais que tem com o senhor. Presidente da
República”, disse.A ministra desvalorizou a
sua ausência das reuniões entre o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e
os líderes do Chega e do PS, vincando que esta proposta não é sua mas
“do Governo”.“O primeiro-ministro é o
chefe do Governo e tem reuniões com quem entende e quando entende (…)
Isso não é qualquer desvalorização da ministra do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social. Que seria, todo o Governo está
articulado”, afirmou.Questionada, se a
proposta não passar, que outros mecanismos tem o Governo para alcançar
os objetivos de promover a competitividade, Rosário Palma Ramalho voltou
a manifestar-se otimista, e salientou que esta não é “a única reforma”
em curso no Governo.“O Governo é otimista
quanto à passagem desta proposta após negociação no parlamento, porque
esta proposta é muito importante para Portugal. Julgo que todos os
partidos devem estar de acordo com este objetivo, aumentar a
competitividade e a produtividade para pagar melhor e reforçar as
garantias dos trabalhadores”, disse.Mas “se o desfecho for negativo, é a democracia a funcionar não há nada de especial a dizer em relação a isto”, considerou.Segundo
a ministra, o Governo já está a fazer “ao mesmo tempo” outras reformas:
“Por exemplo, a reforma fiscal, que já está em curso com o
aligeiramento dos impostos sobre IRS e IRC, é muito importante também, e
a reforma de Estado, que está em curso nas mais diversas áreas e que
também é muito importante para diminuir os custos de contexto das
empresas”.“A reforma de legislação laboral
é muito importante, mas não é a única, nem conseguirá o objetivo
sozinho. Portanto, vamos prosseguir todas estas reformas”, assegurou.