Revisão da Lei das Finanças Locais será feita em estreita articulação com autarquias
Hoje 16:53
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, Manuel Castro Almeida assegurou que todas as entidades “vão
participar ativamente no Grupo de Trabalho para a Revisão da Lei das
Finanças Locais”.“Por maioria de razão, as
associações que representam o poder local são interlocutores essenciais
para que o trabalho desenvolvido atinja os objetivos pretendidos de uma
lei mais adequada aos desafios e realidades do poder local”, afirmou o
ministro da Economia e Coesão Territorial.O
Governo, na nota, assegura ainda que “a revisão da Lei das Finanças
Locais será feita em estreita articulação com as autarquias locais”.O
grupo de trabalho – coordenado pelo secretário de Estado da
Administração Local e Ordenamento do Território, Silvério Regalado, e
presidido por Nunes Liberato – integra como observadores representantes
de várias entidades.No grupo, estão
representados os gabinetes do primeiro-ministro, dos ministros de Estado
e das Finanças, da Presidência, da Economia e Coesão Territorial e dos
secretários de Estado Adjunto e do Orçamento, dos Assuntos Fiscais e do
Planeamento e Desenvolvimento Regional.Os
governos regionais dos Açores e da Madeira, Associação Nacional de
Municípios Portugueses (ANMP), Associação Nacional de Freguesia (Anafre)
e Associação Nacional de Assembleias Municipais (ANAM) também estão
representados.O comunicado de Castro
Almeida surge após a Anafre ter questionado o estatuto de observador que
lhe foi atribuído no âmbito do recém-criado grupo de trabalho.A
Anafre, que havia saudado a criação do grupo de trabalho, anunciou em
comunicado que apresentou um “pedido formal de esclarecimento” sobre o
estatuto que lhe foi atribuído, considerando que “levanta reservas
quanto à possibilidade de participação plena e efetiva da estrutura
representativa das freguesias portuguesas”.O
presidente da Anafre, Francisco Branco de Brito, citado na nota,
sublinhou que em causa está “a falta de clareza” quanto aos direitos e
às limitações do estatuto de observador, “designadamente no que respeita
à possibilidade de intervir, apresentar propostas e participar
ativamente nos trabalhos”. A Anafre
defendeu que “a revisão da Lei das Finanças Locais é prioritária e
inadiável”, uma vez que “as freguesias têm vindo a assumir
responsabilidades crescentes, respondendo diariamente a necessidades
concretas das populações, muitas vezes com recursos manifestamente
insuficientes face às exigências que sobre elas recaem”.Também
a ANMP, em comunicado, verificou "com estranheza" ser um "mero
observador" do grupo de trabalho da Lei das Finanças Locais,
considerando a sua constituição "tardia", apesar de a saudar."A
ANMP verifica, com estranheza, que a associação que representa os
municípios portugueses junto dos órgãos de soberania, que tem tido
sempre uma postura construtiva neste processo e que garantiria um
conhecimento acrescido sobre esta matéria, tenha um estatuto de mero
observador do trabalho a desenvolver neste processo", referiu a
associação.O Governo criou um Grupo de
Trabalho para a Revisão da Lei das Finanças Locais com o objetivo de
reforçar a autonomia da gestão financeira das autarquias, segundo um
diploma publicado em Diário da República.Com
a revisão do Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades
Intermunicipais, o Governo pretende “reforçar a autonomia da gestão
financeira autárquica, dotando as autarquias locais, as áreas
metropolitanas e as comunidades intermunicipais das capacidades
necessárias para assumir a gestão dos serviços públicos
descentralizados”.O Grupo de Trabalho para
a Revisão da Lei das Finanças Locais tem de apresentar ao Governo um
projeto de revisão legislativa, acompanhado de um relatório
justificativo das alterações propostas, até ao final de 2026.