Revisão constitiucional "não tem como não dar asneira"
16 de nov. de 2022, 12:21
— Sónia Ferreira/André Campos Ferrão/usa/AO Online
“O que todos deviam fazer era
a exigência da concretização do texto fundamental e não embarcar numa
aventura que vai dar asneira. Desculpem antecipar um processo, mas não
tem como não dar asneira”, considerou.Questionado
sobre o que o leva a recear que o processo corra mal, Raimundo
sustentou: “Há sempre qualquer coisinha para alterar e, depois, quando
damos por ela temos a Constituição descaracterizada”. O
líder do PCP disse que o partido apresentou também um projeto de
revisão porque decidiu não ficar “sem instrumento de batalha política”
nessa discussão. Para o PCP, não é relevante que tenha sido o Chega a
abrir o processo de revisão constitucional, já que “mais do que a forma,
o que interessa é o conteúdo”. Já quanto
ao Orçamento do Estado para 2023, que entrará na fase de discussão na
especialidade e tem a votação final global marcada para o próximo dia
25, Paulo Raimundo declarou que “continua a não corresponder às
necessidades do país”.Questionado sobre se
o PCP irá manter o voto contra na votação final global, tal como fez na
votação na generalidade, Raimundo declarou que “à partida” não vê que
“haja uma inversão” nas políticas orçamentais que levasse o partido a
alterar a sua posição. Paulo Raimundo, que
integrou as delegações do PCP “nas conversas” com o PS e o Governo no
tempo da “geringonça”, considerou ainda que o Partido Socialista, em
maioria absoluta, “costuma autodestruir-se”.“O
meu camarada Jerónimo tinha uma expressão (…) o PS com maioria absoluta
geralmente costuma autodestruir-se, a partir de correntes internas, de
divisões internas”, assinalou o novo líder do PCP, lamentando os “casos”
que atingem a imagem dos governos e dos partidos, referindo “o PS ou o
PSD”. “Todo esse conjunto de casos tem uma
consequência de degradação da imagem política e da forma como as
pessoas devem estar na política, da ideia que são todos iguais e que se
vão servir dela. É uma ideia com que não partilhamos e que nos preocupa
muito porque a degradação da imagem do sistema democrático não traz bons
resultados”, disse. Reconhecendo que são
positivas, “mas insuficientes” as medidas do Governo para contrariar os
efeitos da subida dos preços e das taxas de juro, Paulo Raimundo
sublinhou que “há duas questões que custam sair do papel” e que são
essenciais, a necessidade de um “aumento significativo” dos salários e
de fixar os preços do cabaz alimentar. “Isto
é mais do que uma crise, é a injustiça a pairar, a impor-se,
considerou, deixando um apelo às forças sociais para uma convergência em
torno destas reivindicações. “Não estamos
sós, não queremos estar sós, nem queremos estar sós para este conjunto
de desafios que temos pela frente, disse, sugerindo que no PS haverá
quem não se identifique com as opções atuais do Governo. “Talvez
seja mais fácil para os socialistas em concreto perceberem que uma das
piores que podia ter acontecido em relação às preocupações que têm
individualmente com o país, com a situação do país, foi o seu partido
ter tido maioria absoluta”, declarou.