Retoma vai exigir liquidez e “Governo não pode hesitar”

Covid-19

3 de mar. de 2021, 15:36 — Lusa/AO Online

“É no momento da retoma que vamos perceber as dificuldades reais das empresas e é nessa altura que o Governo não pode hesitar, sob pena de um esforço enorme que o Governo também tem feito ao longo do ano de 2020 cair todo em saco roto”, alertou Pedro Costa Ferreira, em entrevista à Lusa.Assim, o responsável defendeu que os apoios disponibilizados às empresas do setor do turismo, para fazer face aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia, “têm de ser redobrados” e “mais robustos”.“A retoma é, provavelmente, o momento de maior necessidade de liquidez de todas as empresas, porque os custos, perante uma crise alongada e uma empresa muito fragilizada, serão e terão um movimento de zero para 100”, afirmou Pedro Costa Ferreira.A APAVT prevê que, no momento da retoma da economia, as empresas passem rapidamente a ter os custos que tinham antes da pandemia, embora as receitas venham a ser geradas de forma gradual, daí sublinhar a necessidade de liquidez.Pedro Costa Ferreira disse acreditar na possibilidade da retoma acontecer ao longo deste ano, de forma mais lenta, consolidando-se em 2022. Neste contexto, o primeiro “grande desafio” para o turismo português é, disse, manter viva a oferta.“Se a oferta não existir para poder receber uma procura que continua a existir e, provavelmente, até vai existir com mais desejo, com mais capacidade de crescimento, aí não temos nada”, avisou.O presidente da APAVT considerou também importante apostar na projeção da imagem de Portugal como um destino seguro e, para isso, é necessário resolver a crise sanitária.Depois disso, “o maior desafio de todos” é “ganhar o jogo das viagens mais afastadas” bem como o “jogo” de mercados como o americano, o brasileiro, o asiático e a América Latina.“Se nós ganharmos este tipo de mercados, temos a consciência que vamos ter duas coisas: maior diversidade de oferta e menor sazonalidade”, defendeu.“Depois da pandemia, cada vez vai haver mais turistas à procura de locais sem turistas e, portanto, isso só se resolve aumentando o território turístico, diversificando a oferta, e isso só se resolve se tivermos acesso a outro tipo de mercados que não o mercado tradicional do UK [Reino Unido], o alemão, o francês”, acrescentou o presidente da APAVT.