Retenção na fonte vai ser revista para garantir que trabalhadores não são penalizados
18 de jan. de 2023, 13:18
— Lusa/AO Online
“Aquilo
que vimos aqui nesta reunião foi um caso específico que diz respeito
aos assistentes operacionais e aos assistentes técnicos”, disse Nuno
Santos Félix aos jornalistas após uma reunião com a Federação de
Sindicatos da Administração Pública (Fesap) e que contou com o ministro
das Finanças, Fernando Medina.O governante
assinalou que estes casos se encontram numa “proximidade de posições”
nas tabelas de retenção em que “um aumento do rendimento pode
corresponder a um aumento da retenção”.O
secretário de Estado acrescentou que o Governo propôs e aprovou no
Orçamento do Estado para 2023 “uma mudança estrutural da forma como são
calculadas as retenções na fonte” e que entra em vigor no segundo
semestre do ano.No entanto, no primeiro
semestre do ano, vigora um período de “adaptação por parte das empresas,
por parte dos operadores económicos” a este sistema de retenção, mas
Nuno Santos Félix garantiu que este problema será corrigido
“brevemente”.As alterações vão entrar em
vigor com retroativos a 01 de janeiro de 2023 e nalguns casos não deverá
ser possível reduzir a retenção deste mês, uma vez que há salários que
já foram processados.“Neste mês as
entidades públicas, em regra, já terão processado os seus vencimentos.
Portanto o que nós faremos é estas retificações com a brevidade
necessária, mas depois retroagindo os seus efeitos a 01 de janeiro. O
secretário de Estado sublinhou que, apesar de a alteração se dar “a
propósito da questão específica dos assistentes técnicos e operacionais,
esta reflete-se quer no setor público, quer no setor privado, uma vez
que as tabelas são únicas para todos os trabalhadores”.À
saída da reunião, o secretário-geral da Fesap, José Abraão, saudou a
atuação do Ministério das Finanças que deixou a garantia das alterações.“Detetámos
problemas na segunda, terceira e quarta posição da tabela de retenção
no IRS e o ministro das Finanças – onde estava também o secretário de
Estado dos Assuntos Fiscais - disse-nos que nós temos razão, e ao termos
razão, garantiu-nos que as tabelas iam ser alteradas”, registou o
secretário-geral da federação sindical.Segundo
José Abraão, com esta alteração, os casos sinalizados podem ter “um
ganho superior, em termos líquidos ao salário mínimo nacional, a 25
euros”.Saudando a rapidez na resolução do
problema levantado no início da semana pela federação sindical, José
Abraão assinalou que este se tratou “de um problema fiscal, não um
problema de carreira”.“Todas as outras
situações que possam vir a verificar-se poderão ser corrigidas, e só
temos que dizer que a rapidez com que se corrigiu este problema –
evitando e corrigindo as injustiças que estavam em cima da mesa – é
motivo para considerarmos que há abertura neste Ministério para tratar
esta e outras questões com a rapidez com que esta foi tratada”,
reforçou.José Abraão acrescentou que, com
estas alterações às tabelas, “as pessoas vão reter menos dinheiro, e
isso vai melhorar o rendimento líquido”.“Para
nós era completamente inaceitável que houvesse trabalhadores que
ficassem a ganhar abaixo do salário mínimo nacional”, considerou.