Restauração e comércio a retalho perderam 354,4ME e 316,3ME em abril
Covid-19
25 de mai. de 2020, 12:26
— Lusa/AO Online
De
acordo com o BdP, os setores da restauração e do comércio foram os mais
afetados pela redução “sem precedentes” nos pagamentos de abril.Numa
análise detalhada ao setor do comércio a retalho por comparação a abril
de 2019, os dados revelam que as compras com cartão subiram 209% na
aquisição de eletrodomésticos (mais 44,7 milhões de euros) e 109% no
subsetor das frutas e produtos hortícolas (um aumento de 6,6 milhões de
euros).“Em particular, a evolução
verificada no setor das compras de eletrodomésticos terá resultado, numa
primeira fase, de um crescimento na aquisição de equipamentos
domésticos para apoio ao período de confinamento, como sejam
frigoríficos e aspiradores, e, numa segunda fase, de computadores e
impressoras, para permitir a realização de teletrabalho e o acesso ao
ensino em casa”, indica o BdP.Em termos
absolutos, a maior subida nas compras com cartão ocorreu nos
supermercados e hipermercados (mais 144,9 milhões de euros) e, em
sentido oposto, a maior redução em termos absolutos verificou-se no
subsetor do combustível para veículos a motor (menos 67,6 milhões de
euros).Com o encerramento das lojas
físicas, o subsetor do vestuário para adultos – que, em abril de 2019,
era o segundo mais relevante no comércio a retalho – registou em abril
de 2020 uma quebra de 99%, passando de 155,3 milhões de euros para
apenas 1,6 milhões de euros.Os fortes impactos negativos da covid-19 no turismo foram também evidentes em abril.“Com
a suspensão dos voos e o fecho das fronteiras, o turismo quase
paralisou: os levantamentos efetuados por estrangeiros em Portugal
caíram 67% em número e 62,3% em valor (menos 743 mil operações no valor
de 80,9 milhões de euros) em comparação com abril do ano passado”,
refere.No que se refere às compras, a
queda foi ainda mais acentuada: 86,6% em número e 87% em valor (menos
6,1 milhões de compras no valor de 355,7 milhões de euros).“Apesar
da redução generalizada na utilização dos cartões de pagamento, as
compras ‘online’ e as compras com recurso à tecnologia ‘contactless’
(sem contacto) continuaram a registar crescimentos significativos em
abril de 2020.As compras com a tecnologia
‘contactless’ cresceram, comparativamente com o período homólogo, 44% em
número e 123% em valor, com o valor médio destas operações a passar de
17,8 euros em março para 21,3 euros em abril, em resultado do aumento do
limite máximo dos pagamentos ‘contactless’ para 50 euros.O
peso das compras com a tecnologia ‘contactless’ no total de compras com
cartão subiu também de forma expressiva: em fevereiro de 2020, 11,6%
das compras com cartão foram efetuadas com tecnologia ‘contactless’ e,
em abril de 2020, 17,4%. As compras com a
tecnologia ‘contactless’ foram realizadas maioritariamente no setor do
comércio a retalho (81,2% em número e 85,5% em valor).As
compras ‘online’ em ‘sites’ de comerciantes portugueses aumentaram 21%
em quantidade e 53% em valor em abril, face ao período homólogo.Já as compras efetuadas em ‘sites’ estrangeiros baixaram 18% em valor e cresceram 10% em quantidade.Em
termos globais, o peso relativo das compras ‘online’ no total de
compras efetuadas com cartão passou de 7% em número e de 8,1% em valor,
em fevereiro de 2020, para 11,2% e 10,8%, respetivamente, em abril de
2020.“Confirma-se, deste modo, uma
alteração nos hábitos de pagamento dos portugueses no período da
pandemia de covid-19, com crescimento dos pagamentos sem contacto e dos
pagamentos ‘online’”, refere o BdP.