Responsável pela supervisão não viu "nexo causal" na transição CGD-BCP
Inquérito/CGD
18 de jun. de 2019, 18:09
— Lusa/AO Online
"Tenho de lhe dizer com a maior
franqueza que não encontrei, não vislumbrei qualquer tipo de nexo
causal", referindo-se à aprovação de financiamento, por parte de
administradores da CGD, a uma das partes da 'guerra' de poder do BCP e
sua posterior mudança para o banco, respondeu Pedro Duarte Neves ao
deputado do PCP Paulo Sá, no parlamento.Durante
a sua segunda audição na comissão parlamentar de inquérito à
recapitalização e gestão da CGD, Pedro Duarte Neves considerou que "foi
designada uma administração do BCP que traria condições normais ao
banco". "Nesse contexto, só fatores
supervenientes que se vieram a revelar posteriormente é que levaram
àquelas reuniões de dezembro [de 2007]", referiu o anterior responsável
pela supervisão no Banco de Portugal, numa menção às denúncias sobre as
'offshore' do BCP.Sobre esse assunto, e
perante a pergunta de Paulo Sá sobre se foram feitas pelo empresário
José Berardo, e depois de perguntar ao presidente da comissão se podia
"falar sobre denúncias não anónimas", Pedro Duarte Neves disse que na
sua "memória" e "apontamentos", foram "duas denúncias de alguém que já
falámos várias vezes nesta comissão".De
acordo com Pedro Duarte Neves, as denúncias foram remetidas nos dias "28
de novembro e 11 de dezembro de 2007", mas o ex-vice-governador disse
também saber de "denúncias anteriores ligadas a outros aspetos", que
ocorreram "algures no verão".As denúncias "eram enviadas ao Banco de Portugal e apareciam na comunicação social pouco tempo depois".Pedro
Duarte Neves disse que a primeira denúncia não foi "conclusiva", e que
apenas a segunda "leva a concluir pelas infrações graves no BCP que
tinham decorrido, a propósito, na primeira metade da década".As
denúncias levaram às reuniões de acionistas com o Banco de Portugal em
20 e 21 de dezembro, mencionadas na audição de hoje pelo ex-governador
do Banco de Portugal Vítor Constâncio.Constâncio
referiu que "vários acionistas queriam saber se as notícias eram
verdade e queriam saber o que poderia acontecer ao banco"."Para
não prejudicar ninguém decidimos - não fui eu - que era melhor convocar
um grupo de acionistas, de acordo com a percentagem de capital",
afirmou.Vítor Constâncio disse ainda aos
acionistas, na reunião, "que se confirmavam coisas graves no BCP", "que
não poderia dizer nada sobre os processos enquanto eles estivessem a
decorrer", e ainda que os acionistas deveriam "estabilizar o banco".