Responsável pela pastoral juvenil espera que relatório sobre abusos não afete Jornada

JMJ

1 de fev. de 2023, 08:33 — Lusa/AO Online

Para o padre Filipe Diniz, “é de saudar todo o trabalho que tem sido feito” pela Igreja Católica no combate ao problema, sublinhando “a transparência” do processo. “Se há um criminoso, deve ser julgado (…). E o Papa Francisco tem sublinhado várias vezes a tolerância zero” quanto aos abusos sexuais na Igreja, refere o padre Filipe Diniz, reconhecendo que a Igreja “estremece” com estes casos. “Mas, se houver verdade, transparência, estamos a ser Igreja. A verdade clarifica. Pode abanar a estrutura (…), as próprias pessoas, a credibilidade, mas se (…) estamos a ser verdadeiros e é a verdade que mostra tudo isso, mostra estas situações, penso que nesse sentido é bom”, afirma o sacerdote responsável pela pastoral juvenil da Igreja Católica em Portugal em entrevista à agência Lusa.Enaltecendo o trabalho das comissões diocesanas de proteção de menores e da Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa, liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, Filipe Diniz não esconde que a questão dos abusos é “um tema muito sensível”, mas faz questão de manifestar a sua confiança em que a “transparência e a verdade” dá à Igreja “força e motivação”.Neste contexto, acredita que a Jornada Mundial da Juventude a realizar em Lisboa, entre 01 e 06 de agosto deste ano, “não será” afetada pelas conclusões do relatório da Comissão Independente a divulgar no próximo dia 13 de fevereiro.A comissão – que além de Pedro Strecht, integra o psiquiatra Daniel Sampaio, o antigo ministro da Justiça Álvaro Laborinho Lúcio, a socióloga Ana Nunes de Almeida, a assistente social e terapeuta familiar Filipa Tavares e a realizadora Catarina Vasconcelos – começou a receber testemunhos no dia 11 de janeiro de 2022 e, no dia 15, menos de uma semana depois, já validara 102 dessas denúncias.Meses depois, a 11 de outubro, a Comissão Independente, naquela que foi a sua última comunicação pública de dados, anunciou que já validara 424 testemunhos, assumindo que a maior parte dos crimes reportados já prescrevera. Dezassete dos casos, contudo, haviam sido já comunicados ao Ministério Público.“O número mínimo de vítimas será muitíssimo maior do que as quatro centenas e os abusos compreendem todas as formas descritas na lei portuguesa”, disse na ocasião Pedro Strecht, remetendo outros dados apenas para o relatório final.Entretanto, a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) assegura estar preparada para “tomar medidas adequadas” que se imponham pelo relatório, mas recusa apontar uma expectativa sobre os resultados do documento.Segundo o padre Manuel Barbosa, “a expectativa será de que daí [do estudo] surjam elementos que permitam continuar a tomar medidas, e medidas novas, para que este flagelo, este drama, se erradique da vida da Igreja o mais possível”.