Responsável diz que não há alojamento local ilegal nos Açores mas “camas ilegais”
17 de set. de 2019, 08:27
— Lusa/AO Online
“Não há alojamento local ilegal. Isto é algo
que se tem de acabar de afirmar de uma vez por todas. O que há são camas
ilegais e a ilegalidade não é boa para todos os setores do turismo:
para a hotelaria, para as pousadas, para o alojamento rural e,
obviamente, para o alojamento local”, afirma à agência Lusa Rui Correia.
Segundo o dirigente associativo, “muitas
vezes estas camas ilegais até tocam alguma atividade turística que não é
só acomodação, mas sim ‘rent-a-car’ e animação turística”, num setor em
crescimento nos Açores, de forma particular desde a abertura do mercado
aéreo em março de 2015, por via da chegada de mais companhias aéreas.Rui
Correia, que lidera uma associação com 105 associados, num universo de
2.300 unidades de alojamento local, lamenta que “se associe a
ilegalidade sempre” a esta tipologia quando “alguns imóveis têm
capacidade, por exemplo, para ser turismo em espaço rural”.Também
questionado sobre alojamento ilegal, o presidente da Associação de
Turismo em Espaço Rural Casas Açorianas, Gilberto Vieira, prefere
referir que “há muita oferta à disposição no mercado” e que as inspeções
regionais “fazem o seu trabalho como podem”, mas os inspetores não
aumentaram na mesma proporção do crescimento da oferta turística.O
dirigente considera que a forma de responder a esta realidade é
“continuar o turismo rural a ser um produto de excelência” e mostra-se
mais preocupado com o facto de os transportes aéreos não estarem a
funcionar como desejado e a fazer chegar o turismo a todas as ilhas dos
Açores.Numa altura em que todas as
tipologias do alojamento “dão sinais de crescimento e procura”, refere,
as “pessoas não conseguem chegar devido aos transportes”, uma situação
que “ainda não se conseguiu resolver” e que admite "não ser de fácil
resolução".Gilberto Vieira deixa o alerta
aos associados para “não se deixarem influenciar com o aparecimento de
tipologias que são autênticos infestantes, que nada trazem de novo ao
destino”.A Inspeção Regional do Turismo
(IRT) realizou em 2018 cerca de 700 ações, tendo detetado 216 unidades
de alojamento não licenciadas ou registadas, num total de 864 camas, das
quais 187 já estão licenciadas/registadas ou encerraram a atividade.Segundo
dados divulgados no início de 2019 pela IRT, foram efetuadas "336 ações
inspetivas em empreendimentos turísticos (72), estabelecimentos de
hospedagem (119) e atividades de animação turística (145), além de 157
ações de deteção de atividades de animação turística não registada
(terrestre ou marítima)"."Foram ainda
analisadas e tratadas 317 reclamações referentes a todas as atividades
turísticas no arquipélago, sendo as ilhas de maior dimensão (São Miguel e
Terceira) aquelas onde se registou um maior número de reclamações",
explica a IRT, indicando que "aproximadamente 61% das reclamações
apresentadas incidiram sobre o alojamento e cerca de metade destas
tiveram na sua origem falhas nos serviços prestados".Além
disso, foram instaurados 16 processos de contraordenação, que incidiram
maioritariamente sobre "ilícitos relacionados com a exploração de
alojamentos turísticos".