Responsável associativo alerta para risco de alteração a estatuto do dirigente desportivo nos Açores
Hoje 16:02
— Lusa/AO Online
“Percebemos
que o funcionário público poderá beneficiar de tudo o que é o estatuto,
mas aqueles que estão no ramo privado temos algumas dúvidas e até nos
deixa alguma preocupação [sobre] se poderão vir a ser alvo de algumas
represálias em relação àquilo que é a sua atividade”, advertiu Maurício
Toledo, durante uma audição paramentar, realizada na delegação do
parlamento em Angra do Heroísmo.O
presidente da Associação de Futebol de Angra foi ouvido pelos deputados
da Comissão de Assuntos Sociais, a propósito de um projeto de decreto
legislativo regional, apresentado pela bancada do Chega, na Assembleia
Legislativa dos Açores, que altera o estatuto do dirigente desportivo
voluntário na região.A iniciativa
legislativa pretende realçar a importância do estatuto do dirigente
enquanto trabalho não remunerado e prevê a dispensa parcial da atividade
profissional, através de crédito de horas, um regime específico para a
marcação de férias e apoios em matéria de seguros e formações.“É
verdade que prevê um crédito [mensal] de três horas, mas o nosso
entendimento é de que deviam ser quatro horas. Pelo menos, uma hora por
semana!”, sublinhou Maurício Toledo, recordando que os dirigentes gastam
facilmente mais do que esse tempo em contactos e diligências.Segundo
este parlamentar, as matérias relacionadas com a formação desportiva
também deviam ficar reservadas para as associações e federações
desportivas, nas diferentes modalidades, sem ser necessária a
intervenção da Direção Regional do Desporto, como propõe o Chega.“A
verdade é que a próprias associações e federações têm formações muito
mais completas e muito mais organizadas no tempo, mais adequadas para o
dirigente desportivo”, realçou Maurício Toledo, sugerindo mesmo que seja
retirada a referência do departamento do Governo, no diploma, na área
da formação.A figura do dirigente
desportivo voluntário tem sido alvo de várias discussões na região,
existindo também propostas e debates anteriores apresentados pela
coligação PSD/CDS-PP/PPM, que gere o Governo Regional, liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro.