Responsáveis pelo IAMA e IROA contra a fusão dos dois institutos dos Açores
13 de set. de 2022, 14:54
— Lusa/AO Online
“São
duas instituições completamente distintas”, advertiu Maria Carolina
Câmara, presidente do IAMA, ouvida pela Comissão de Economia da
Assembleia Legislativa dos Açores, sobre a proposta da IL de criação de
uma sociedade anónima, denominada Agriazores, para assumir as funções do
IAMA e do IROA, que seriam extintos.Para a
administração do IAMA, a fusão dos dois organismos poderá provocar um
“aumento do endividamento” e a eventual “perda de benefícios dos
trabalhadores” afetos aos matadouros da região, nomeadamente a
possibilidade de se aposentarem aos 55 anos de idade.“Estes
benefícios são fundamentais para a renovação do pessoal dos
matadouros”, recordou Maria Carolina Câmara, adiantando que fundir o
IAMA e o IROA iria gerar “discriminação” entre trabalhadores em funções
públicas, já que os funcionários do IROA não têm essas regalias.A
presidente do IAMA lembra que este organismo público tem, atualmente,
566 trabalhadores, mas que não pode recorrer ao crédito bancário,
dependendo diretamente do Governo Regional, situação que considerou não
ser impeditiva de realizar o seu trabalho com sucesso.“Nos
últimos anos, o IAMA investiu 50 milhões de euros na renovação da rede
regional de abate, 11 milhões dos quais provenientes de fundos
comunitários”, recordou Maria Carolina Câmara, adiantando que, desta
forma, o instituto tem conseguido assegurar “um melhor rigor financeiro”Hernâni
Costa, presidente do Conselho de Administração do IROA, considerou
“extemporânea” a proposta de extinguir os dois institutos, criando, em
substituição, a Agriazores, por considerar que essa alteração não trará
benefícios para os empresários agrícolas.“Essa
decisão compete à Assembleia Legislativa dos Açores e teremos de
respeitar a decisão que tomarem, mas gostaríamos de saber quais os
ganhos de eficiência que esta fusão irá trazer”, questionou Hernâni
Costa, também ouvido pela Comissão de Economia do parlamento açoriano.O
responsável pelo IROA lembrou que o instituto, que gere o ordenamento
agrário nos Açores, tem apenas 29 funcionários e que a instituição está
“bem dimensionada para os funcionários que tem”, não sobrecarregando,
dessa forma, o erário público.Segundo
explicou, desde 2012 que o IROA apresenta “resultados operacionais
positivos” e que conseguiu reduzir a sua dívida comercial de 6,3 milhões
de euros, em 2007, para apenas 15 mil euros, em 2021.A
proposta que o deputado Nuno Barata apresentou no parlamento, pretende
reformar o setor público empresarial, através da criação da AGRIAZORES,
SA – Sociedade Regional de Ordenamento do Território Rural e
Desenvolvimento dos Mercados Agrícolas, através da extinção do IAMA e do
IROA.“Despartidarizar os cargos de
nomeação, reduzir despesas em cargos de chefia, agilizar procedimentos
no domínio do ordenamento do território e dos mercados agrícolas e
compaginar as definições políticas aos tempos que correm”, são alguns
dos objetivos da proposta da Iniciativa Liberal, que está ainda em
apreciação pelo parlamento dos Açores.A
Comissão de Economia vai ainda ouvir os secretários regionais da
Agricultura e Desenvolvimento Rural (António Ventura) e das Finanças,
Planeamento e Administração Pública (Duarte Freitas), a propósito desta
iniciativa, e ainda o diretor geral da Agricultura do Governo da
República, o coordenador do SERCLA (Serviço de Classificação de Leite
dos Açores), a Federação Agrícola e a Câmara do Comércio e Indústria dos
Açores, para além dos pareceres escritos solicitados a outras
instituições.