Responsáveis de distribuição dos CTT demarcam-se da greve de 29 de maio
19 de mai. de 2020, 11:23
— Lusa/AO Online
“É com
enorme surpresa e um sentimento de incredibilidade que a ANRED encara a
greve geral convocada por alguns dos sindicatos para o próximo dia 29 de
maio, com o fundamento na decisão tomada pela empresa – no que
acreditamos ter por objetivo causar o menor impacto possível no conjunto
dos seus trabalhadores – de pagar o subsídio de refeição através do
cartão refeição a todos aqueles que ainda não tenham optado por esse
meio”, afirma a associação em comunicado.Sustentando
que “esta medida, ao contrário de outras que estão a ser adotadas por
inúmeras empresas no país, não é redutora dos rendimentos [dos
trabalhadores], muito pelo contrário”, a ANRED recorda que mereceu “o
acordo dos vários sindicatos, incluindo os que estão a convocar esta
greve, no contexto de um processo negocial que não se terá concluído com
sucesso, por razões que nada terão tido a ver com a bondade desta
medida (e de outras)”.“Num contexto de
grandes dificuldades e desafios para os portugueses, para os
trabalhadores e para as empresas no nosso país, muitas destas últimas as
quais têm estado também a sentir uma forte redução das suas receitas e
por isso têm recorrido a medidas legais que são redutoras dos
rendimentos dos respetivos trabalhadores, a ANRED saúda os CTT por não
tomarem medidas dessa natureza, interpretando esse esforço da empresa
como um muito justo reconhecimento do esforço que todos os seus
trabalhadores, incluindo os das áreas operacionais e da distribuição,
estão a fazer neste contexto muito difícil em prol do país e da sua
população”, refere a associação.Adicionalmente,
a ANRED “saúda os CTT por, durante toda esta crise pandémica, ter
adotado e executado um Plano de Contingência e Continuidade de Negócio
traduzido numa estratégia seguida pelos demais serviços essenciais de
garantir as medidas preventivas de proteção e saúde dos seus
trabalhadores, em particular dos que se encontram na linha da frente da
atividade, incluindo nas operações e na distribuição, e assegurar o
normal funcionamento da atividade, com toda a segurança possível”.“O
país e a sua população têm vivido uns últimos cerca de dois meses
bastante difíceis no contexto da pandemia global pela covid-19, os quais
têm exigido o contributo de todos para combater a referida situação
epidemiológica. E, se o contributo de grande parte dos portugueses tem
passado pelo exemplar cumprimento do recolhimento domiciliário, o
contributo de uma outra parte tem sido continuar a trabalhar e garantir o
funcionamento do país e a prestação à sua população de um conjunto de
serviços essenciais, entre os quais os serviços postais”, salienta.Enaltecendo
“a capacidade de resposta dos profissionais dos CTT, em particular os
das operações e da distribuição, que mantêm altos padrões de
produtividade e respondem com excelência no serviço que prestam aos
portugueses mesmo em momentos de dificuldade coletiva como os
decorrentes a atual crise pandémica”, a ANRED diz que “não se revê no
fundamento invocado” para a greve do dia 29 e considera-a mesmo, “nas
atuais condições, lesiva dos interesses dos trabalhadores”.Criada
em 1994 por profissionais da rede de distribuição dos CTT, a ANRED é
uma associação socioprofissional cujos mais de 500 associados são
gestores dos centros de distribuição postal, supervisores de
distribuição, técnicos e quadros superiores de organização postal, O
Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações
(SNTCT) entregou na quinta-feira um pré-aviso de greve para 29 de maio
abrangendo os trabalhadores dos CTT Expresso e dos CTT – Correios de
Portugal.De acordo com o sindicato, os
trabalhadores não aceitam a proposta de atribuição de um cartão de
refeição como forma de pagamento do subsídio de alimentação,
substituindo, assim, o pagamento no vencimento mensal por transferência
bancária, como tem sido feito até ao momento. Os
trabalhadores dos CTT, diz o SNTCT, querem continuar a usar a
retribuição referente ao subsídio de refeição "conforme a sua vontade"
ou local de preferência.