Responsabilidade aumenta com três açorianos eleitos
11 de jun. de 2024, 09:36
— Nuno Martins Neves
A responsabilidade
de representar os Açores em Bruxelas, depois de uma legislatura sem
qualquer eurodeputado açoriano, já seria alta, mas Jorge Macedo entende
que agora é muito maior “pois a expectativa dos açorianos aumenta
muito”.Aquela que é “a melhor notícia” para os Açores, como
classifica Sónia Nicolau, e uma “enorme responsabilidade” para os três
eurodeputados, de quem a comentadora da rádio Açores TSF espera que
possam ter “uma maior atenção e sensibilidade para dossiers
importantíssimos para a Região, nomeadamente a agricultura, pescas e
transferência de conhecimento, que não têm sido alvo nestes últimos
anos”.Já Jorge Macedo deixa um apelo aos eurodeputados açorianos
eleitos pelas estruturas nacionais para que não se fiquem apenas por
Bruxelas e que venham medir o pulso da Região regularmente.“Deixo um
apelo para que os dois eurodeputados e a eurodeputada não fixem
residência em Bruxelas e, no mínimo, de 15 em 15 dias estejam nos Açores
para que possamos saber do trabalho que estão a fazer e contactar com
as instituições, eleitores e povo dos Açores. Não se fiquem apenas pelos
corredores do Parlamento Europeu”.Sobre os resultados regionais do
ato eleitoral europeu, os comentadores apontam que a governação da
coligação PSD/CDS/PPM, liderada por José Manuel Bolieiro, saiu
“validada”, tendo os eleitores açorianos demonstrado “maturidade”, ao
não deixarem contaminar as Europeias com casos da política regional.“Numa
leitura política, diria que a vitória da coligação liderada pelo PSD
nos Açores - a chamada AD lá fora - mantém a diferença de 6 pontos
percentuais para o PS, em comparação com as Legislativas Regionais. O
executivo de José Manuel Bolieiro vê, dessa maneira, validada a sua
governação”, assinala Jorge Macedo.Apesar do resultado do Partido
Socialista dos Açores não acompanhar a vitória nacional, o comentador
classificou-a de “normal”, devido ao momento de passagem de testemunha
que os socialistas atravessam, com a saída de Vasco Cordeiro.Já Sónia Nicolau tem uma leitura distinta, considerando que se trata de uma “enorme chamada de atenção do povo para o partido”.“E
perante esta chamada de atenção, o PS Açores não pode responder apenas
com falhas de comunicação: temo que, se assim for, o futuro continuará a
adiar o PS para servir os açorianos”.A comentadora considera,
também, que as recentes notícias sobra a SATA, a falta de pagamento a
fornecedores ou a situação do Hospital de Ponta delgada poderiam ter
prejudicado a coligação, “mas tal não aconteceu. O que prova uma enorme
maturidade dos açorianos, que separaram situações e deram um sinal muito
claro da avaliação que fizeram dos candidatos”.Jorge Macedo
destaca, ainda, o “excelente resultado” da Iniciativa Liberal, que
triplicou o seu resultado nos Açores, relativamente às Legislativas
Nacionais, enquanto o Chega resistiu, no arquipélago, à “hecatombe” do
partido a nível nacional.Por último, Sónia Nicolau destaca os
resultados nacionais globais, que colocam Portugal, na sua opinião,
“como uma referência de moderação no espetro europeu: o Chega é um
partido que fica no 3.º lugar, contrariamente às aspirações do candidato
e do seu líder, e isso é uma excelente notícia para Portugal”.