Resolução que recomenda "diferenciação positiva" das autarquias açorianas publicada em DR
Hoje 11:08
— Lusa/AO Online
A 24 de fevereiro, o parlamento açoriano aprovou, por maioria, com a
abstenção do deputado da IL, um projeto de resolução, apresentado pelas
bancadas do PSD, PS, CDS-PP, Chega e PPM, a recomendar uma
"diferenciação positiva" das autarquias dos Açores.O
parlamento dos Açores considerou que a revisão da Lei das Finanças
Locais (LFL) deve assegurar uma “diferenciação positiva” das autarquias
locais situadas nos Açores, devido às suas especificidades em relação às
congéneres continentais.Na sequência do
debate sobre o projeto de resolução, apresentado pelas bancadas do PSD,
PS, CDS-PP, Chega e PPM, que recomenda que o Governo da República
contemple as reivindicações das autarquias locais da região na revisão
da Lei de Finanças Locais (LFL), o secretário regional dos Assuntos
Parlamentares, Paulo Estêvão, considerou que “a percentagem no bolo
nacional tem vindo a diminuir” para as autarquias açorianas.A
resolução publicada defende um modelo mais justo que tenha em
conta a insularidade, a ultraperiferia e os sobrecustos associados.De
acordo com a resolução, o atual regime está “desajustado da realidade
do poder local” e "não contribui para o adequado financiamento do poder
local, impedindo-o de responder com proximidade, rapidez e eficácia aos
problemas das pessoas e de ser um agente de desenvolvimento local"."O
regime de finanças locais deve, ainda, na repartição de recursos
públicos entre o Estado e as autarquias locais situadas nos territórios
das regiões autónomas, ter em conta a específica natureza destas
autarquias e a sua condição de autarquias em região arquipelágica, bem
como a existência de um poder político regional, de natureza
democrática", lê-se.Por outro lado, "o
Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores atribuiu
ao município da ilha do Corvo o exercício das competências das
freguesias. Contudo, este município não recebe a correspondente dotação
financeira do Fundo de Financiamento das Freguesias", acrescenta.Entre
as principais recomendações ao Governo da República, destaca-se a
criação de um Fundo de Compensação da Insularidade (FCI), diferenciado
do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), destinado ao financiamento
específico das autarquias locais situadas nos Açores.A
resolução propõe também a adoção de um critério de majoração acrescida,
que tenha por base, nomeadamente, medidas como o sobrecusto de bens e
serviços, vulnerabilidade e fatores de risco ambientais, naturais,
socioeconómicos e demográficos, nas transferências do Estado para as
autarquias açorianas quanto às receitas provenientes da cobrança do
imposto sobre o valor acrescentado (IVA), imposto sobre o rendimento das
pessoas coletivas (IRC) e imposto sobre o rendimento das pessoas
singulares (IRS).Defende uma taxa reduzida
de 6% para o IVA a liquidar nos contratos de prestação de serviços, de
aquisição de bens e de empreitadas em que as freguesias sejam entidades
adjudicantes.Também propõe a alteração do
limite legal de endividamento das freguesias dos Açores para 50 % da
dotação anual recebida por cada freguesia do Fundo de Financiamento das
Freguesias (FFF), com possibilidade de contração de empréstimos
plurianuais, que devem ser liquidados até ao fim do mandato em que foram
contraídos.O parlamento regional propõe o
acesso a financiamento no âmbito do Portugal 2030 com avisos
específicos e a adoção de um financiamento específico para a contratação
de pessoal para as freguesias e o reforço do financiamento do Estado às
autarquias locais considerando o acréscimo da sua despesa com
compromissos fixos.