República toma medidas para reforçar segurança energética
Hoje 09:05
— Rui Jorge Cabral/Lusa
O novo mecanismo de proteção do consumidor entra em funcionamento se, no
retalho, ocorrer um aumento superior a 70% no preço da energia, ou
superior a 2,5 vezes a média de preços dos últimos cinco anos,
ultrapassando os 180 euros por Megawatt/hora (MWh).Sendo declarada
uma crise energética, o Governo da República pode tomar medidas de apoio
a clientes domésticos e empresas, fixando limites para o preço da
energia “abaixo do preço de custo”, segundo explicou o ministro da
Presidência, António Leitão Amaro. Esse diferencial, que será suportado pelo Estado “vai ser recuperado mais tarde”, disse.O
teto no preço da energia terá também de ser acompanhado de medidas de
eficiência energética. As famílias terão de reduzir o seu consumo para
80% do que consumiram no ano anterior, e as empresas para 70% do consumo
do ano anterior.Este mecanismo, segundo o ministro da Presidência,
poderá ser usado em caso de declaração de crise energética, “o que
sucederá se os preços continuarem a subir”. Nesse caso, os apoios dados pelo Governo não poderão ser considerados auxílios de Estado da União Europeia (UE). O
ministro da Presidência disse ainda que o Governo vai acompanhar a
evolução dos preços a nível global para decidir que medidas acionar para
evitar o agravamento do custo de vida.“As medidas vão sendo
adotadas sempre de acordo com a evolução e uma previsão da situação
concreta”, disse António Leitão Amaro, lembrando que o executivo atuou
já sobre o aumento dos combustíveis, com o desconto no ISP, mas que na
eletricidade “a situação é diferente”, porque há contratos de
fornecimento mais estáveis, tal como no gás.“Vamos é agir com
responsabilidade e com adequação a cada momento do ciclo”, disse António
Leitão Amaro, recusando que o governo tenha agido tarde e considerando,
pelo contrário, que tem atuado de forma antecipada, como no caso da
definição do desconto adicional no imposto sobre os combustíveis (ISP).Refira-se
que o Conselho de Ministros aprovou também o reforço da capacidade de
produção de energia de fontes renováveis, de modo a aumentar a produção
descentralizada e a produção para autoconsumo e, assim, reduzir a
dependência energética dos combustíveis fósseis a nível nacional.Recorde-se
que a guerra no Médio Oriente, que está prestes a completar três
semanas, está a provocar um agravamento significativo nos mercados
energéticos e a suscitar avisos globais sobre a segurança alimentar e a
navegação no Estreito de Ormuz.As consequências nos mercados foram imediatas, com o preço do gás e do petróleo a dispararem.No
caso do petróleo, o barril de Brent subiu ontem 4,65%, para 112,37
dólares, sendo que a 9 de março atingiu mesmo um valor próximo dos 120
dólares.Refira-se ainda que durante o dia de ontem, as bolsas
europeias seguiam em queda acentuada, superior mesmo a 2% nas bolsas de
Londres, Paris, Milão e Frankfurt.A bolsa de Nova Iorque abriu também no “vermelho”.