República reforça ligações aéreas com Açores mas não satisfaz utentes dos aeroportos
2 de abr. de 2024, 18:17
— Lusa
De acordo com o
caderno de encargos, a que a Lusa teve acesso, as companhias aéreas que
pretenderem concorrer a este concurso, que prevê indemnizações
compensatórias no valor de 45 milhões de euros (pelo período de cinco
anos), terão de efetuar, obrigatoriamente, mais ligações do que aquelas
que estavam previstas no concurso anterior.O
Governo da República exige o mínimo de seis frequências semanais na
rota Lisboa/Horta/Lisboa durante o Verão IATA e de quatro durante o
Inverno, ao passo que, na rota Lisboa/Pico/Lisboa, as companhias terão
de efetuar três viagens por semana durante o Verão e, pelo menos, duas
durante o Inverno.Apesar dos reforços das
ligações aéreas, os representantes dos grupos de cidadãos do Aeroporto
da Horta e do Aeroporto do Pico entendem que o número mínimo de viagens
previsto no caderno de encargos é inferior à média de viagens que já
existe atualmente.“Claramente não
satisfaz! Nós, neste momento, já temos dez voos semanais no verão, temos
a exigência de 14 voos semanais e aquilo que nos oferecem são apenas
seis voos”, lamenta o porta-voz do Grupo Aeroporto da Horta, Dejalme
Vargas, lembrando que, no ano passado, a rota Lisboa/Horta/Lisboa
disponibilizou durante o verão 75 mil lugares, mas agora o caderno de
encargos prevê apenas 50 mil.Também Bruno
Rodrigues, do Grupo Aeroporto do Pico, lembra que o número de viagens e
de passageiros transportados para a “ilha montanha” (onde fica situado o
ponto mais alto de Portugal, com 2.351 metros de altitude) é muito
superior ao previsto no caderno de encargos.“A
nossa preocupação é que tem havido um progresso, nos últimos anos, no
número de lugares disponíveis para o Aeroporto do Pico. Atualmente, já
existem cinco voos semanais nos meses altos do verão, mais dez para o
Faial, e havia a expectativa de que esse número de voos ainda pudesse
aumentar”, realçou Bruno Rodrigues.O
caderno de encargos das obrigações de serviço público prevê, no entanto,
a realização de voos adicionais para fazer face ao “tráfego
extraordinário” que possa ser gerado em algumas rotas, nomeadamente por
altura de “festividades religiosas ou eventos desportivos ou culturais”,
mas acrescenta que a taxa de ocupação nesses voos “não deverá ser
inferior a 75%”.Além das rotas
Lisboa/Horta/Lisboa e Lisboa/Pico/Lisboa, o caderno de encargos inclui
ainda a operação Lisboa/Santa Maria/Lisboa, com a obrigação de duas
viagens semanais durante todo o ano, e ainda as ligações Funchal/Ponta
Delgada/Funchal e Funchal/Terceira/Funchal, esta última introduzida
agora, pela primeira vez.O caderno de
encargos determina também que tipo de aeronave deve ser utilizada nestas
rotas de serviço público que, à exceção da ligação Funchal/Ponta
Delgada (atualmente operada por um avião turbo-hélice, Dash Q 400, da
SATA Air Açores), têm de ser asseguradas com um turborreator, como o
A320, da Azores Air Lines.As exigências
impostas pelo Governo da República neste novo concurso aplicam-se também
à oferta de carga, que deve ser de, pelo menos, 1.000 toneladas na rota
Lisboa/Horta, durante o verão, 30 toneladas nas rotas Lisboa/Pico e
Lisboa/Santa Maria, e 124 toneladas entre Funchal e Terceira.Na rota Funchal/Ponta Delgada não estão definidos valores mínimos de transporte de carga.O
concurso lançado pela República mantém o valor mínimo de 134 euros para
uma passagem aérea de um residente nos Açores, entre o arquipélago e o
Continente, e de 99 euros para um estudante.Nos
Açores, as ligações aéreas Lisboa/Ponta Delgada/Lisboa e
Lisboa/Terceira/Lisboa não são abrangidas pelas obrigações de serviço
público, uma vez que essas rotas são liberalizadas, isto é, podem ser
operadas por qualquer companhia aérea, em regime concorrencial.