República assegura cobertura de montantes atribuídos aos beneficiários do POSEI nos Açores
11 de abr. de 2025, 12:30
— Lusa/AO Online
O Conselho de
Ministros aprovou uma resolução que, “acolhendo o
princípio da solidariedade nacional, permite, a título excecional,
durante o ano 2025, assegurar, por via do Orçamento do Estado, a
cobertura integral dos montantes atribuídos aos beneficiários do POSEI
(Programa de Opções Específicas para fazer face ao Afastamento e à
Insularidade), na medida em que os fundos comunitários se revelem
insuficientes”.A medida aplica-se à Região
Autónoma dos Açores e foi valorizada pelo executivo regional de
coligação, que fala em “justiça” para com o território.“Isso
significa que aquilo que era suportado anualmente pelo Orçamento
Regional nos últimos três anos, que variava entre 13 e 16 milhões de
euros - que eram necessários para que os agricultores pudessem receber
na íntegra os seus apoios e não haver cortes -, agora, para 2025, é
assegurado no valor de 16 milhões de euros pelo Orçamento do Estado”,
explicou à agência Lusa o secretário regional da Agricultura e
Alimentação, António Ventura.Segundo o
governante, a decisão representa “solidariedade” da República para com
os Açores: “É algo que sempre se reivindicou também com o anterior
governo do PS, [que] nunca aceitou, e o governo de [Luís] Montenegro
agora aceitou”.António Ventura explicou
que o POSEI, que apoia a produção alimentar, tem um montante global de
fundos comunitários de 78 milhões de euros e quando as candidaturas na
região ultrapassam esse valor, “o que se faz é um rateio por todos [os
candidatos], corta-se um bocadinho em todos”.“Ora,
nós [Governo Regional], no sentido da segurança e da credibilidade e
para motivar também o aumento de produção, o que temos feito a partir de
2021, era [que] aquilo que se cortava nos agricultores, pagava-se na
íntegra com o dinheiro regional. Quando faltava o dinheiro dos fundos
comunitários, nós entrávamos com o dinheiro regional”, explicou.Esta
situação aconteceu entre 2021 e 2024 e o executivo açoriano alertou o
anterior Governo da República e o atual para “uma situação de
desigualdade, porque quer em França quer em Espanha, são os orçamentos
nacionais que pagam também esses rateios às suas regiões
ultraperiféricas”.Os Açores pretendiam o
mesmo tratamento, mas o governante referiu que o anterior executivo
socialista “nunca aceitou” e que a reivindicação apenas foi agora
acolhida pelo Governo liderado por Luís Montenegro em relação a 2025,
que assegurará os 16 milhões de euros previstos nos rateios para os
agricultores.Na opinião de António
Ventura, foi feita justiça, porque a região passou a ter o mesmo
tratamento que outros Estados da Europa têm em relação às suas regiões
ultraperiféricas nos casos em que, quando faltam os fundos comunitários,
“é o orçamento nacional que avança com o dinheiro”.