República, Açores e Madeira unem esforços para reivindicar aumento de quotas de pesca na UE
4 de out. de 2024, 17:51
— Lusa/AO Online
“O
objetivo principal é o de juntar as duas regiões que, além de serem
autónomas, têm o chapéu da ultraperiferia e, portanto, estando sobre
esse chapéu e com um artigo específico no Tratado de funcionamento da
União, que efetivamente permite que haja determinadas derrogações,
especificidades que possam ser orientadas por estas regiões, é, de
facto, unir esforços, sinergias”, afirmou a secretária de Estado das
Pescas, Cláudia Monteiro de Aguiar. A
governante falava à agência Lusa numa visita ao laboratório e à lota do
Funchal, realizada no âmbito da Convenção das Pescas, que decorreu na
Madeira, na quinta-feira e esta sexta-feira, e que contou com um conjunto de visitas
e reuniões entre entidades públicas e representantes do setor.“As
negociações vão decorrer nos próximos meses e, portanto, estamos a
preparar todo o argumentário necessário. […] E há aqui um fator
fundamental: é que, do ponto de vista científico, quer através do IPMA
[Instituto Português do Mar e da Atmosfera], quer através das regiões
autónomas, os dados têm de ser bem analisados para que depois este
argumentário possa ser feito junto da Comissão Europeia na própria
definição do plano de quotas”, salientou.Além
da discussão sobre as quotas do atum, a secretária de Estado realçou a
necessidade de reivindicar apoios para renovar a frota de pesca,
realçando que os navios se encontram “envelhecidos”.“Há
aqui situações de habitabilidade dos barcos, de segurança alimentar,
que têm que ser salvaguardadas para que o consumidor final, o cidadão,
tenha acesso a pescado de qualidade”, apontou.Cláudia
Monteiro de Aguiar referiu também que a organização das associações de
pesca foi outra das questões abordadas no encontro, considerando que
“devem estar mais orientadas na defesa dos seus interesses”, porque
“quem está no mar, quem está no dia-a-dia a lidar com as espécies pode
fazer esse reporte de forma também mais apurada”.O
secretário regional do Mar e das Pescas dos Açores, Mário Rui Pinho,
destacou que a região autónoma “tem quotas pequenas para os tunídeos”,
referindo que existe “uma variabilidade interanual muito grande, o que
significa que há anos em que têm muito atum e há anos em que não têm
atum nenhum”, o que origina “um problema na gestão da atividade”.O
responsável salientou a importância de os três governos se articularem
para que o país esteja em condições de defender os seus interesses junto
das instituições europeias.E alertou que não é a “falar muito alto” que o aumento das quotas se irá concretizar. “É
preciso fazer um trabalho de base, articulado e coordenado, é o que a
senhora secretária de Estado está a fazer aqui, está a coordenar-se com
as regiões autónomas e está a procurar soluções técnicas e também as
soluções políticas para podermos ter esses objetivos”, disse.No
mesmo sentido, a secretária regional da Agricultura, Pescas e Ambiente
da Madeira, Rafaela Fernandes, reforçou que as duas regiões
ultraperiféricas partilham de preocupações comuns, vincando: "É esta
relação tripartida que nos vai permitir ganhar, obviamente, uma união de
esforços para aquilo que são os nossos propósitos".