Representantes dos trabalhadores da RTP denunciam formas "abusivas" de contratação
10 de mai. de 2023, 15:49
— Lusa
A
denúncia partiu da subcomissão de trabalhadores da RTP Porto e é
subscrita pela Comissão de Trabalhadores (CT), pelos sindicatos dos
trabalhadores das telecomunicações e audiovisuais (SINTTAV), das
telecomunicações e comunicação audiovisual (STT), dos jornalistas (SJ),
dos meios audiovisuais (SMAV) e pelo Sindicato Independente dos
Trabalhadores da Informação e Comunicações (SITIC)."No
levantamento das situações irregulares que as organizações efetuaram e
que consideram provisório, foi possível identificar 136 trabalhadores
que, embora desempenhando na RTP funções permanentes, se encontram em
contratação precária, cerceados dos mais elementares direitos laborais",
pode ler-se num comunicado.As
organizações representativas dos trabalhadores da RTP referem que as
alterações laborais da Agenda do Trabalho Digno, que entraram em vigor
este mês, reforçam o poder de intervenção da ACT e é nesse âmbito que
"exigem que à RTP seja efetuada uma fiscalização que permita o
cumprimento das normas em matéria laboral".Virgílio
Matos, da subcomissão de trabalhadores do Porto, disse à Lusa que em
causa estão trabalhadores a recibos verdes e outros em 'outsourcing'
(contratação externa) a exercerem funções permanentes na RTP.Segundo
referiu, no centro de produção do norte, no Porto, foram identificadas
49 situações precárias, das quais 29 são trabalhadores a recibos verdes,
nomeadamente jornalistas, repórteres e editores de imagem e câmaras de
estúdio, e 20 trabalhadores em 'outsourcing'.Em
Lisboa, o levantamento "provisório" identificou 41 trabalhadores
precários, dos quais 19 a recibos verdes, enquanto nos Açores foram
identificados 21 e na Madeira 26.A denúncia entrou na ACT no dia 02 de maio, estando agora as organizações a aguardar desenvolvimentos, disse Virgílio Matos."Este
é só um primeiro passo porque se a ACT não for consentânea com o que
tem vindo a ser repetido pela própria ministra do Trabalho [Ana Mendes
Godinho], que tem de se acabar com a precariedade sobretudo nos jovens
qualificados, estaremos na disponibilidade de avançar com outras formas
de luta", avisou."Isto não é digno de uma empresa pública", rematou.Virgílio
Matos referiu que os trabalhadores a recibos verdes não têm direito a
qualquer subsídio de transporte, de alimentação, natal ou férias e que,
por vezes, têm cargas horárias sujeitas a pagamento pelo trabalho
suplementar, mas não têm compensação por isso.Por
sua vez, na sequência desta denúncia, o Sindicato dos Jornalistas (SJ)
está também a preparar uma queixa paralela à ACT, que só irá abranger os
jornalistas, acrescentou.