Representante justificou nomeação do líder do PSD com garantias de apoio no parlamento
7 de nov. de 2020, 20:09
— Lusa/AO online
"Tendo
em conta que os deputados dos três partidos que integram a coligação e
dos dois partidos que a apoiam [Chega e Iniciativa Liberal] ocupam 29
dos 57 lugares do parlamento açoriano – perfazendo assim maioria
absoluta –, decidi indigitar o dr. José Manuel Bolieiro como presidente
do próximo Governo Regional, que irá agora compor a sua equipa", afirmou
Pedro Catarino, numa declaração aos jornalistas sem direito a
perguntas, em Angra do Heroísmo, no final do segundo dia de audições aos
partidos com assento na nova Assembleia Legislativa Regional.O PS venceu as eleições legislativas regionais, mas perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25 deputados.O
PSD foi a segunda força política mais votada, com 21 deputados,
seguindo-se o CDS-PP, com três. Chega, BE e PPM elegeram dois deputados e
Iniciativa Liberal (IL) e PAN um cada.PSD,
CDS-PP e PPM anunciaram um acordo de governação e o líder regional
social-democrata disse hoje já ter alcançado acordos de incidência
parlamentar com o Chega e o IL. O
representante da República para os Açores ouviu hoje os líderes de PSD e
PS, depois de na sexta-feira ter ouvido os dirigentes dos restantes
seis partidos. “Concluído o processo de
audiências – em que os oito partidos foram ouvidos com toda a atenção e
responderam com clareza e sinceridade às perguntas colocadas –, ficou
claro que o Partido Socialista, não obstante ter obtido nestas eleições o
maior número de votos e o maior número de mandatos, não apresentou
nenhuma coligação de governo”, disse Pedro Catarino.“Também
não celebrou com outros partidos acordos escritos de incidência
parlamentar, capazes de alargar a sua base de apoio para além dos seus
próprios 25 deputados”, acrescentou.Em
contrapartida, segundo o representante da República para os Açores, “o
PSD formou com o CDS-PP e com o PPM uma coligação de governo, assente
num acordo político escrito, válido para os quatro anos da legislatura” e
os três partidos mostraram-se “confiantes na solidez do acordo que
firmaram”. Além disso, acrescentou, a
coligação “obteve de outros partidos – a Iniciativa Liberal e o Chega – o
compromisso escrito de um apoio parlamentar estável, para o período da
legislatura, e que compreende todas as decisões da competência da
Assembleia Legislativa de que depende o início e a continuidade em
funções do executivo regional”.“Estes
compromissos de apoio parlamentar à solução governativa composta pelo
PSD/CDS-PP/PPM foram reafirmados com segurança pelos senhores deputados
da Iniciativa Liberal e do Chega e encontram-se na posse do
representante da República”, frisou.Pedro
Catarino sublinhou que esta solução de Governo “tem em conta os
resultados eleitorais” e “resultou clara das audiências realizadas e dos
compromissos que os partidos políticos aí assumiram”, tendo em conta
que “tanto os partidos da coligação, como os partidos que a apoiam na
Assembleia Legislativa declararam que votariam sempre contra um eventual
programa de governo apresentado pelo PS”.“Abre-se
desta forma uma nova fase na vida política dos Açores, com novos
protagonistas e assente numa solução governativa que – não obstante as
garantias de estabilidade que apresenta – exige diálogo permanente entre
todos os partidos e um grande espírito de compromisso, em benefício de
todos os açorianos”, alertou.De acordo com
o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, cabe
ao representante da República nomear o presidente do Governo Regional
"tendo em conta os resultados das eleições", mas só depois de ouvir os
partidos políticos representados no parlamento.A
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores integra 57
deputados e terá pela primeira vez oito forças políticas representadas.A
instalação da Assembleia Legislativa está marcada para o dia 16 de
novembro. Habitualmente, o Governo Regional toma posse, perante o
Parlamento, no dia seguinte.