Representante das comunidades portuguesas reconhece que o seu poder é zero
27 de abr. de 2023, 16:55
— Lusa
“Sabemos que o
nosso poder é zero, eu diria mesmo nulo em todas as questões”, afirmou
Flávio Martins, há sete anos à frente do conselho permanente do CCP, e
um dos rostos da promoção de alterações à lei que regula este órgão,
atualmente a ser discutido na especialidade do parlamento.Perante
os deputados da comissão parlamentar dos Negócios Estrangeiros e
Comunidades Portuguesas, Flávio Martins enumerou algumas das propostas
que nos últimos anos o CCP tem defendido para a alteração da lei que o
regula.Insistiu, mais uma vez, no aumento
do número de conselheiros (para 100), manifestou-se contra os limites
dos mandatos e disse que o Conselho não tem meios, e que nem é essa a
sua função, para definir relatórios da sua atividade, bem como do
funcionamento de estruturas, como consulados ou associações.Atualmente,
a alteração à lei é objeto de um grupo de trabalho parlamentar que tem
na sua base os três projetos de lei (PS, PSD e PAN) que foram aprovados
na generalidade e que deverão resultar num diploma a ser debatido e
aprovado em plenário.Os deputados dos
vários partidos representados na comissão manifestaram o seu apoio e
dispuseram-se a contribuir para o diploma final, incluindo os dos
partidos que apresentaram propostas próprias, que não passaram na
generalidade (PCP, BE e Chega).Sem grande
avanço ficou a questão do voto eletrónico à distância, que o CCP defende
como medida para aumentar a participação dos emigrantes portugueses nos
atos eleitorais em Portugal.Questionado
sobre alguns pormenores das propostas apresentadas pelo CCP, como
contributo para a nova legislação, Flávio Martins aproveitou para
manifestar a sua discordância em relação à limitação de mantados dos
conselheiros, proposta pelo PS.E deixou um aviso: “Poderá ser um fator de prejuízo à própria representação” do CCP.Isto
porque, como recordou, nem todos os lugares de conselheiros foram
ocupados e quem aceita fazê-lo “de forma espontânea”, a confirmar-se
esta impossibilidade na futura lei, não poderá voltar a ser conselheiro.Na
prática, tal poderá representar mais lugares vazios e ser colocada em
causa a representatividade deste órgão consultivo do Governo para as
questões relacionadas com as comunidades portuguesas.A
participação dos conselheiros nesta comissão parlamentar ocorreu em
paralelo com a reunião das três comissões temáticas deste órgão, que
decorre hoje e sexta-feira no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em
Lisboa.A alteração à lei que regulamenta
este órgão consultivo na agenda, assim como a aposta no voto eletrónico à
distância, estará na agenda de trabalhos, assim como o ensino do
português no estrangeiro e o apoio ao movimento associativo, entre
outros temas.