Representante da República vai deixar parlamento "prosseguir trabalhos"
8 de mar. de 2023, 18:31
— Lusa
Contactado pela Lusa sobre os acordos de
incidência parlamentar hoje rasgados pelo deputado da Iniciativa Liberal
e pelo deputado independente com o executivo de coligação
PSD/CDS-PP/PPM, o gabinete do representante da República (RR) revelou
que, “até agora, não chegou” às mãos de Pedro Catarino “nenhuma posição
ou declaração assinada” pelos parlamentares.Tendo
tomado conhecimento dos factos pela comunicação social, o RR vai deixar
a Assembleia Legislativa Regional “seguir com os seus trabalhos e
resolver o problema”.Fonte do gabinete de
Pedro Catarino indicou ainda que o RR optou por “não tomar nenhuma
posição quanto a esta matéria” e “não fazer nenhum tipo de ingerência
nos assuntos da Assembleia Legislativa Regional”, deixando as coisas
“seguirem o seu rumo normal”.Os três
partidos que integram o Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) têm 26
deputados na assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio
parlamentar do deputado do Chega, somando assim 27 lugares.Antes,
com o apoio parlamentar do deputado independente e do eleito da
Iniciativa Liberal somavam 29 mandatos, o que permitia ao executivo
governar com maioria absoluta.A oposição conta agora com 30 deputados, quando antes tinha 28.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado independente (ex-Chega).O PS
venceu as eleições legislativas regionais de 25 de outubro de 2020, mas
perdeu a maioria absoluta, que detinha há 20 anos, elegendo 25
deputados.Em 07 de novembro, o
representante da República indigitou o líder do PSD, José Manuel
Bolieiro, como presidente do Governo Regional, justificando a decisão
com o facto de a coligação PSD/CDS-PP/PPM ter apoios que lhe conferiam
maioria absoluta na assembleia legislativa.Pedro Catarino sublinhou, na altura, que o PS não apresentou "nenhuma coligação de governo", apesar da vitória nas eleições.