Representante da República para os Açores promete assumir o cargo com "seriedade, serenidade e proximidade"
Hoje 17:29
— Lusa/AO Online
“É minha firme intenção
exercer o cargo que assumi com absoluta seriedade, mas também com
efetiva serenidade, segura de que apenas assim, partido de uma posição
de absoluta isenção, poderei lançar as pontes de que a autonomia dos
Açores merece e precisa para prosperar no médio e longo prazo”, afirmou
Susana Goulart Costa.A representante da
República para a Região Autónoma dos Açores, que tomou posse a 24 de
abril, em Lisboa, falava na Base Aérea n.º 4, na ilha Terceira,
numa cerimónia que contou com a presença do presidente do Governo
Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e do presidente da Assembleia
Legislativa dos Açores, Luís Garcia, entre outras entidades.Na
primeira intervenção pública, após tomar posse, a primeira mulher e
açoriana a assumir o cargo garantiu estar disponível para criar “pontes
entre os órgãos de governo próprio da região e os órgãos de soberania,
transitáveis nos dois sentidos”, mas também pontes com entidades
municipais, instituições da vida civil açoriana, agentes culturais e
comunicação social.“Consciente de que há
ainda inúmeros investimentos e melhorias a realizar, estarei sempre à
disposição dos órgãos de governo próprio da região para, num clima de
diálogo franco, contribuir para a construção de uma autonomia com
futuro”, apontou.Susana Goulart Costa
assumiu o compromisso de “cooperar para uma autonomia capaz de
perseverar na edificação de uma sociedade mais justa e solidária,
alicerçada na dignidade da pessoa humana”, mas também capaz de
"enfrentar os desafios de um futuro próximo que ameaça ser distópico”.Defendeu,
por isso, que as instituições autonómicas têm de se recriar para
enfrentar desafios como a transição digital, a disseminação da
inteligência artificial, as alterações climáticas, a crise demográfica e
a criação de instrumentos de justiça intergeracional.A
representante da República disse ainda ciente de que o cargo “não é
incontroverso”, mas afirmou estar convicta de que, num contexto de um
Estado Unitário Regional, esta figura constitucional “não é inútil” e no
seu mandato “nunca será fútil”.“Nenhum
órgão vocacionado para a defesa dos valores do Estado de Direito, dos
direitos fundamentais dos cidadãos e dos princípios basilares da
constitucionalidade e da legalidade – através do escrutínio jurídico dos
atos do poder político – pode alguma vez ser considerado dispensável ou
sequer redundante”, salientou.“Os
sistemas de freios e contrapesos, os mecanismos da responsabilidade
política e o princípio da transparência da vida pública não são apenas
os melhores antídotos contra as tentações do poder, mas também a melhor
garantia de uma boa governação, ordenada ao bem comum, à segurança, nas
suas várias expressões, e à paz social”, acrescentou.À
margem da cerimónia, o presidente do Governo Regional dos Açores
(PSD/CDS-PP/PPM) disse já ter tido a oportunidade de conversar com a
representante da República sobre “as grandes questões que interessam à
defesa da autonomia política” e mostrou-se convicto de que Susana
Goulart Costa terá compreensão da “importância de uma relação da
República com a Região Autónoma dos Açores”.O
social-democrata José Manuel Bolieiro garantiu ainda estar seguro da
“independência e isenção” da nova representante, que já foi eleita
deputada regional pelo PS.“Aqui conta
apenas um tom, o tom da açorianidade, o tom da democracia, o tom da
autonomia política, o tom de uma coesão nacional, compreendendo a nossa
diversidade, quer geográfica, quer também de povos”, salientou.Já
o presidente da Assembleia Legislativa dos Açores, Luís Garcia,
destacou “o respeito pelas instituições regionais” e a “total
disponibilidade para a cooperação e para o diálogo”, manifestados por
Susana Goulart Costa.“Sendo ela uma
conhecedora profunda da nossa região, essa cooperação ainda será mais
útil também no levar algumas das nossas preocupações ao
senhor Presidente da República, aos órgãos da República”, afirmou,
garantindo que essa disponibilidade para o diálogo será recíproca.Susana
Goulart Costa substitui Pedro Catarino, que desempenhou o cargo de
representante da República para os Açores durante 15 anos.Nascida
em 1969, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, é doutorada em
História e era atualmente professora da Universidade dos Açores e
investigadora do CHAM - Centro para as Humanidades da Universidade NOVA
de Lisboa/Universidade dos Açores.Foi deputada regional, eleita nas listas do PS, e diretora regional da Cultura, durante a governação de Vasco Cordeiro.