Representante da República para os Açores destaca "integridade e dedicação à causa pública"
Óbito/Laborinho Lúcio
23 de out. de 2025, 15:10
— Lusa/AO Online
“Foi com profunda tristeza que
recebemos a notícia do falecimento na manhã de hoje do juiz conselheiro
Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio, português ilustre, cuja
integridade e dedicação à causa pública ficarão para a História como um
exemplo a seguir”, afirmou Pedro Catarino, em comunicado de imprensa.Álvaro
Laborinho Lúcio foi o último ministro da República para a Região
Autónoma dos Açores, antes de o cargo ter mudado para representante da
República.Ocupou o cargo de março de 2003 a
março de 2006, tendo desempenhado funções “num quadro institucional
pautado pelo respeito pelos órgãos de governo próprio da Região Autónoma
dos Açores”, segundo Pedro Catarino.“Homem
de enorme caráter, serviu o nosso país nas mais diversas instituições e
cargos, com um trabalho de excelência, por todos reconhecido”, vincou o
representante da República para os Açores, que apresentou condolências à
família do seu antecessor.Álvaro
Laborinho Lúcio foi secretário de Estado da Administração Judiciária e
ministro da Justiça em 1990, durante o Governo de Cavaco Silva, e
ministro da República para os Açores, durante a presidência de Jorge
Sampaio.Foi também Procurador da República
junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspetor do Ministério
Público, Procurador-Geral-Adjunto da República, diretor da Escola da
Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários.Na Nazaré, foi presidente da Assembleia Municipal.Mais recentemente, integrou a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa.Laborinho
Lúcio nasceu na Nazaré em 01 de dezembro de 1941. Na juventude, foi
ator amador, tendo participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré.Ingressou
na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou
em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas.Laborinho
Lúcio foi membro, entre outras, de associações como a APAV - Associação
Portuguesa de Apoio à Vítima e a CRESCER-SER, de que é sócio fundador.Entre
2013 e 2017, foi presidente do Conselho Geral da Universidade do Minho e
membro eleito da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.Laborinho
Lúcio estreou-se na escrita de ficção narrativa em 2014, com “O
Chamador”, na Quetzal, editora pela qual lançou mais quatro títulos até
ao ano passado: “O Homem que Escrevia Azulejos”, “O Beco da Liberdade”,
“As Sombras de uma Azinheira” e o livro de crónicas e outros textos “A
Vida na Selva”.Já este ano, em março,
editou, pela Zigurate, com Odete Severino Soares e ilustrações de
Catarina Sobral, o livro “Marília ou a Justiça das Crianças”.Foi condecorado em 2005 pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo.