Reorganizar espaços educativos fora da sala de aula exige valorizar papel do pessoal não docente
Hoje 17:12
— Lusa/AO Online
A
posição do CNE consta de um parecer, publicado hoje em Diário da
República, sobre os princípios orientadores da reorganização dos espaços
educativos fora da sala de aula, as tipologias de espaços e
equipamentos escolares adequadas aos diferentes níveis e ciclos de
estudos e as competências específicas a integrar na especialização do
pessoal não docente, em particular dos assistentes operacionais.Esta
reorganização de espaços "exige uma valorização estratégica do papel do
pessoal não docente, em particular dos assistentes operacionais, além
de condições adequadas de dotação, estabilidade, tempo de trabalho e
articulação com docentes e técnicos especializados, pois a sua
intervenção é determinante para assegurar a qualidade de ambientes
educativos inclusivos", refere o parecer. O
CNE destaca a crescente ampliação e complexificação das funções destes
profissionais, tradicionalmente associadas à vigilância, limpeza e
manutenção dos espaços e cujas responsabilidades se têm intensificado,
"nomeadamente no apoio direto aos alunos, na mediação relacional, na
promoção da inclusão, na gestão dos espaços educativos e no suporte às
atividades pedagógicas". "Esta evolução
funcional impõe redefinir um perfil profissional especializado,
sustentado em competências específicas nas áreas da mediação educativa e
sócio cultural, no apoio à educação inclusiva, na segurança e
bem-estar, na literacia digital, na gestão de equipamentos, na
comunicação interpessoal, na resolução de conflitos e no trabalho em
equipa multidisciplinar", defende o CNE, que destaca também a
necessidade de valorização dos recreios e espaços exteriores como
componentes centrais dos ambientes educativos e como contextos
relevantes de aprendizagem informal. A
qualidade do recreio pode "favorecer competências como a cooperação, a
autorregulação, a tomada de decisão, a negociação de regras, a gestão da
frustração, a resolução de conflitos, a inclusão, a criatividade, a
consciência corporal e a avaliação de risco", defende o CNE, sugerindo
que a reorganização dos espaços educativos inclua uma atenção específica
aos recreios, garantindo que são "concebidos, equipados e geridos de
forma intencional, equilibrando oportunidades de jogo livre com
propostas estruturadas, sem transformar o recreio num prolongamento
excessivamente regulado da sala de aula".Os
trabalhadores não docentes das escolas cumpriram no início deste mês um
dia de greve para defender a reposição da carreira de auxiliar de ação
educativa e salários que reflitam a especificidade e desgaste da
profissão.A paralisação foi convocada pela
Federação Nacional de Sindicatos Independentes da Administração Pública
e de Entidades com Fins Públicos (FESINAP) que apontou para uma adesão
que rondou, pelo menos, os 50% do pessoal não docente da Educação,
sobretudo em estabelecimentos de ensino de Lisboa, Porto e Aveiro.