Rendimento bruto declarado nos Açores sobe 7,9% em 2024

Hoje 09:32 — Ana Carvalho Melo

Em 2024, o valor mediano do rendimento bruto declarado por agregado fiscal dos Açores foi de 15.515 euros, o que representa um aumento de aproximadamente 7,9% face ao ano anterior.Os dados constam das Estatísticas do Rendimento ao Nível Local, divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), com base em dados fiscais anonimizados da AT - Autoridade Tributária e Aduaneira.De acordo com o INE, neste período, o rendimento bruto mediano nacional subiu 6,2%, passando de 14.660 euros para 15.573 euros.Por regiões NUTS II, o valor mediano do rendimento bruto declarado por agregado fiscal foi mais elevado do que o nacional na Grande Lisboa (16.667 €), na Península de Setúbal (16.460 €) e no Centro (15.987 €). Por outro lado, a região do Algarve registou o menor valor mediano por agregado fiscal (13.844 €).Na análise por municípios dos Açores, Vila do Porto (autarquia com o valor mais elevado da região), Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta são os concelhos com os valores mais altos da região, situando-se alguns deles acima da referência nacional (15.573 €).Já Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Povoação e Nordeste são os que apresentam os valores mais baixos.Refira-se que os três municípios do Grupo Ocidental (Corvo, Santa Cruz das Flores e Lajes das Flores) não constam nesta lista detalhada por possuírem menos de 2.000 sujeitos passivos, critério utilizado pelo INE para assegurar a robustez dos resultados municipais.Na globalidade do país, 86 municípios apresentaram valores medianos do rendimento bruto declarado por agregado fiscal superiores ao nacional, mais sete municípios do que em 2023.O retrato municipal deste indicador revela, com valores mais elevados, os municípios da Península de Setúbal (sete dos nove municípios), da Grande Lisboa (seis em nove), da Área Metropolitana do Porto (11 em 17), da Região de Aveiro (sete em 11), da Região de Coimbra (oito em 19) e, no interior continental, os municípios sede de distrito.Açores com mais desigualdade no rendimentoOs Açores apresentam, em 2024, uma maior desigualdade na distribuição do rendimento em comparação com o país. O coeficiente de Gini, que mede a concentração da distribuição do rendimento por sujeito passivo, nos Açores foi de 36,6%, enquanto o valor nacional se fixou em 35,6%.Segundo o INE, em 2024,  quatro municípios permaneceram acima da referência nacional: Vila do Porto, Lagoa, Vila Franca do Campo e Ponta Delgada.Refira-se que  o município de Vila do Porto registou um dos maiores índices de desigualdade do país, com um coeficiente de Gini de 42,3%.Já municípios como a Ribeira Grande (que baixou de 35,7%, em 2023, para 35,4%, em 2024) e a Povoação (que baixou de 37,4% para 35,1%) registaram uma redução na desigualdade interna face a 2023.Refira-se que, em 2023, sete municípios açorianos apresentavam um coeficiente de Gini superior ao valor nacional: Vila do Porto, Lagoa, Vila Franca do Campo, Povoação, Ponta Delgada, São Roque do Pico e Ribeira Grande.Com base nos dados estatísticos de 2023 e 2024 verifica-se que o coeficiente de Gini em Portugal subiu em 2024 para 35,6%, evidenciando um ligeiro aumento na desigualdade da distribuição do rendimento em relação ao ano anterior.A nível regional, o INE destaca que a Grande Lisboa (38,9%), as regiões autónomas dos Açores (36,6%) e da Madeira (35,9%) e a Área Metropolitana do Porto (35,6%) apresentaram coeficientes de Gini iguais ou superiores ao valor nacional, sugerindo uma maior desigualdade na distribuição do rendimento. Enquanto, o Alentejo Central (30,9%) apresentou o menor nível de concentração do rendimento entre as 26 sub-regiões NUTS III do país.O coeficiente de Gini é um indicador de desigualdade na distribuição do rendimento que visa sintetizar num único valor a assimetria dessa distribuição, assumindo valores entre 0 e 100, em que o valor zero significa que todos os indivíduos ou agregados têm exatamente o mesmo rendimento.