Remodelação do governo britânico surpreende com regresso de antigo PM David Cameron
13 de nov. de 2023, 18:12
— Lusa
A nomeação de Cameron foi
uma surpresa pois é raro que alguém de fora da Câmara dos Comuns assuma
um cargo governamental de topo e é ainda mais invulgar para um antigo
primeiro-ministro.Cameron liderou o
Executivo britânico entre 2010 e 2016, saindo em desgraça quando se
demitiu após o resultado do referendo que ditou a saída do Reino Unido
da União Europeia (‘Brexit’), contra a qual fez campanha. "O
primeiro-ministro pediu-me para ocupar o cargo de ministro dos Negócios
Estrangeiros e eu aceitei de bom grado”, afirmou, num comunicado,
reivindicando acreditar no “serviço público”.“Embora
tenha estado fora da linha da frente da política nos últimos sete anos,
espero que a minha experiência - como líder Conservador durante onze
anos e primeiro-ministro durante seis - me ajude a ajudar o
primeiro-ministro a enfrentar” uma série de conflitos internacionais,
como a guerra na Ucrânia e a crise no Médio Oriente, acrescentou
Cameron. O último ministro dos Negócios
Estrangeiros a ocupar um assento na Câmara dos Lordes, e não na Câmara
dos Comuns, foi Peter Carrington, que fez parte do governo da
primeira-ministra Margaret Thatcher na década de 1980.A
nomeação imprevista aconteceu durante a remodelação desencadeada pelo
despedimento de Braverman, uma figura polémica que suscitou críticas por
acusar a polícia de ser demasiado branda com manifestantes
pró-palestinianos.Na sexta-feira, publicou
um artigo no jornal The Times no qual acusou a polícia de “favoritismo"
por permitir uma manifestação no sábado em defesa de um cessar-fogo na
Faixa de Gaza, a qual descreveu como “bando de pró-palestinianos” e
“manifestantes pelo ódio”.O artigo não foi aprovado previamente pelo gabinete do primeiro-ministro, como é habitual.Alguns
críticos afirmaram que estes comentários ajudaram a instigar a
violência registada, em particular por militantes de extrema-direita que
agrediram polícias e tentaram confrontar os manifestantes
pró-palestinianos. Braverman também tinha
causado desconforto ao descrever os sem abrigo como uma “escolha de
estilo de vida”, palavras das quais Sunak e outros membros do Governo se
distanciaram. “Foi o maior privilégio da
minha vida servir como ministra do Interior”, declarou hoje a
ex-ministra, prometendo dizer mais "na devida altura”. Braverman,
uma advogada de 43 anos, é favorecida pela ala populista do partido por
defender restrições mais duras à imigração ilegal, a qual apelidou de
"furacão" que vai trazer "mais milhões de imigrantes para estas costas”.Os
críticos dizem que Braverman tem estado a promover a sua imagem para se
posicionar para uma futura disputa pela liderança do partido, que
poderá ocorrer se os Conservadores perderem as eleições legislativas
previstas para o próximo ano.A pasta do Ministério do Interior passou para James Cleverly, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros.Outras
mudanças relevantes incluem a saída de Therese Coffey do Ministério do
Ambiente, herdado por Steve Barclay, que deixa o Ministério da Saúde a
Victoria Atkins.Ainda hoje demitiram-se ou foram dispensados vários secretários de Estado na Saúde, Educação, Transportes e Ciência. A
remodelação, esperada há várias semanas, é vista por analistas como uma
tentativa do primeiro-ministro, em funções há pouco mais de um ano, de
relançar o seu governo e preparar-se para as eleições legislativas
previstas para o próximo ano.O Partido
Conservador está em risco de sair do poder que ocupa há quase 14 anos,
tendo em conta a desvantagem de cerca de 20 pontos percentuais nas
sondagens face ao Partido Trabalhista.