Relatórios de Bruxelas elogiam combate à corrupção em Portugal
16 de nov. de 2021, 13:20
— Lusa/AO Online
“Gostaria de sublinhar que, no ano passado e
este ano, tivemos o relatório da Comissão Europeia sobre o Estado de
Direito, que é um relatório muito importante e abrangente, e, lendo os
dois relatórios, constata-se que Portugal está muito bem classificado em
todos as questões, incluindo o combate à corrupção. Temos uma
estratégia nacional, que está a ser implementada”, disse Augusto Santos
Silva, durante uma conferência de imprensa em Bruxelas.O
ministro falava, numa conferência de imprensa conjunta com o
chefe da diplomacia uzbeque, no final de um Conselho de Cooperação
UE-Uzbequistão, ao qual presidiu a pedido do Alto Representante Josep
Borrell, dado este estar numa reunião de ministros da Defesa e o
ministro da Eslovénia – país que sucedeu a Portugal no trio de
presidências do Conselho da UE – estar ausente por motivos de saúde.Questionado
sobre se, durante o Conselho “Jumbo” que decorre em Bruxelas – reuniões
de ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa da UE -, teve
oportunidade de prestar esclarecimentos aos seus colegas europeus sobre a
investigação em curso às suspeitas de tráfico de diamantes envolvendo
militares portugueses ao serviço das Nações Unidas, Santos Silva
limitou-se a observar que não participou nas reuniões de segunda-feira,
dado ter estado em Madrid com o Presidente da República, Marcelo Rebelo
de Sousa, nas comemoração do 30º aniversário das cimeiras
Ibero-Americanas.Também em Bruxelas desde
segunda-feira para participar no Conselho “Jumbo” e, hoje, num Conselho
de Ministros da Defesa, o ministro João Gomes Cravinho escusou-se a
prestar declarações à imprensa.De acordo
com uma avaliação da organização Transparência Internacional (TI) hoje
divulgada, Portugal está entre os países com risco elevado de corrupção
no setor da Defesa, apesar de ter registado algumas melhorias
relativamente a 2015. Na avaliação feita
pela TI a 86 países, Portugal surge no grupo de países com risco elevado
de corrupção no setor da Defesa, com 44 pontos em 100 possíveis, abaixo
da média europeia (59/100).“Os resultados
de Portugal demonstram uma evolução positiva relativamente aos dados de
2015, com destaque para as áreas temáticas do risco político e dos
riscos associados à gestão de pessoal, mas continuam a registar-se
problemas na prevenção e mitigação de riscos decorrentes da falta de
fiscalização", refere a TI na publicação ‘Government Defence Integrity
Index 2020?, que avalia a qualidade dos controlos institucionais para
gerir riscos de corrupção nas instituições de defesa e segurança.Em
declarações à agência Lusa, Karina Carvalho, diretora executiva da TI
Portugal, afirmou que foram registadas “algumas melhorias relativamente a
2015, mas os resultados relativamente à área operacional continuam
muito abaixo daquilo que seria esperado sobretudo para um país que tem
tantas responsabilidades ao nível internacional”.A
avaliação da TI mostra que é na área de risco operacional que Portugal
“mais se destaca pela negativa, com uma pontuação de zero pontos”.“Num
contexto em que a ação das Forças Armadas se desenvolve cada vez mais
em teatros operacionais complexos, implicando cadeias logísticas com
muitos intermediários e cadeias de comando, a inexistência de doutrina
militar específica sobre riscos de corrupção é cada vez menos
compreensível. Tanto o Conceito Estratégico de Defesa Nacional, em
revisão, como o Conceito Estratégico Militar deveriam incluir secções
específicas sobre prevenção e planos de mitigação de riscos de corrupção
e de infrações conexas, que, como se viu até num caso recente, são
absolutamente essenciais para garantir a integridade neste setor”,
defende Karina Carvalho.A diretora
executiva da TI Portugal referia-se à Operação Miríade que investiga
tráfico de diamantes e outros crimes praticados por militares
portugueses em missões internacionais, nomeadamente na República
Centro-Africana, em que foram detidas 11 pessoas.Para
a responsável, esta operação “é um problema de criminalidade
gravíssimo, mas também faz sobressair essas falhas no contexto
operacional”.A Transparência Internacional
é uma Organização Não Governamental que está presente em mais de 100
países e tem como missão contribuir para reduzir a corrupção.