Relatório sobre Segurança Social usa falsidades para defender insustentabilidade
Hoje 12:23
— Lusa/AO Online
“Este
relatório encomendado pelo governo insere-se numa ação que visa o
assalto aos vultosos recursos da Segurança Social e pôr em causa os
direitos dos trabalhadores e reformados, o prosseguimento do
prolongamento da idade de reforma [e] a eliminação do direito à reforma
antecipada que hoje é reconhecido, entre outros inadmissíveis
retrocessos”, acusa a central sindical em comunicado.Segundo
sustenta, o grupo de trabalho “assenta a tese da insustentabilidade do
sistema público de Segurança Social e as soluções que preconiza para o
problema num misto de falsidades, ambiguidades e confusões, lançando
dúvidas quer sobre a atual robustez financeira que o sistema apresenta,
quer sobre a própria arquitetura e composição”. A
reação da CGTP surge na sequência do relatório "Reformar as Pensões em
Portugal - Por um Sistema Sustentável, Adequado e Justo - um Contrato
entre Gerações", apresentado na terça-feira pelo grupo de trabalho
criado pelo Governo para "propor medidas tendentes à reforma da
Segurança Social".Para a central sindical,
o estudo “mistura propositadamente o sistema previdencial do sistema
público de Segurança Social com a Caixa Geral de Aposentações” [CGA] com
a intenção de “pôr em causa as contas oficiais da Segurança Social”,
quando na verdade estes são “sistemas com objetivos, destinatários e
modos de financiamento muito distintos”.“Os
encargos do Estado com a CGA não têm rigorosamente nada a ver com o
regime previdencial da Segurança Social e derivam unicamente do facto de
o Estado, responsável desde a sua criação pela proteção social,
incluindo o pagamento de pensões dos trabalhadores em funções públicas,
ter optado por não cumprir com as suas responsabilidades enquanto
empregador, sendo impensável que se admita a hipótese de cobrir as suas
responsabilidades através de verbas da própria Segurança Social”,
argumenta.Segundo salienta, o Sistema
Previdencial da Segurança Social “é um regime contributivo, ao contrário
do sistema gerido pela CGA”, pelo que “não há qualquer confusão
orçamental ou contabilística”, nem “dinheiro da CGA a ser desviado para a
Segurança Social ou vice-versa”.“Está
tudo muito claro e não é aceitável qualquer tentativa de manipular as
contas entre os dois sistemas. Toda a mistificação em torno destes dois
sistemas não passa de uma manobra destinada a confundir e a preparar o
terreno para introduzir medidas que fragilizam o sistema público e deste
modo, dar resposta aos anseios dos interesses dos fundos de pensões
privados, ligados à banca e seguradoras”, enfatiza.