Relatório revela “assertividade” aquando do ciberataque ao HDES
16 de dez. de 2021, 10:57
— Lusa/AO Online
Em
comunicado de imprensa, o executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) considera
que os “documentos confidenciais”, disponibilizados após um
requerimento do BE, que incluem o relatório da Microsoft e a “troca de
emails entre a MEO, a Microsoft, a Direção Regional das Comunicações e a
equipa técnica” do Hospital, “são bastantes claros” sobre “a
assertividade das medidas adotadas em resposta ao incidente”.Na
terça-feira, o BE/Açores considerou que o Conselho de Administração do
Hospital de Ponta Delgada foi “irresponsável” na gestão do ataque
informático, citando o relatório da equipa de segurança da Microsoft.A Secretaria das Obras Públicas e Comunicações disse que “não poderia
ficar em silêncio perante um conjunto de declarações que encerram uma
atitude incompreensível e irresponsável”, referindo-se à posição do BE.“A
Secretaria Regional das Obras Públicas e Comunicações aguarda com
serenidade a possibilidade de esclarecer todas as dúvidas e de promover
todas as explicações sobre esta matéria, no âmbito da comissão de
inquérito que decorre, repondo a verdade dos factos”, lê-se no
comunicado.O Governo Regional considerou ainda “falsas” as posições do BE sobre o ataque informático à unidade hospitalar de Ponta Delgada.“É
falso que o relatório da Microsoft afirme que foi errada a decisão de
cortar o acesso do HDES à internet no dia 24 de junho. É falso que o
envolvimento da ‘Dart Team’ da Microsoft tenha ocorrido apenas a partir
do dia 30 de junho”, afirma a nota de imprensa da secretaria tutelada
por Ana Carvalho.De acordo com o
BE/Açores, “em nenhuma parte do relatório, elaborado por peritos em
cibersegurança, é recomendado o desligamento de todos os sistemas
informáticos”, uma decisão “tomada pela administração do hospital contra
a opinião do então diretor de informática”.No
relatório da Microsoft ao ciberataque no Hospital de Ponta Delgada, a
que a Lusa teve acesso, são apontadas falhas à segurança do sistema
informático daquela unidade do Serviço Regional de Saúde, como
palavras-chave partilhadas e não encriptadas ou ausência de atualizações
de proteção.No documento, os peritos
informáticos referem que faltava ao sistema do Hospital Divino Espírito
Santo (HDES), em Ponta Delgada, o pacote de segurança disponibilizado
desde 2017 pelo sistema operativo para responder ao tipo de ataque a que
a unidade de saúde foi sujeita. “A
Microsoft lançou, na altura [em 2017], ‘patchs’ de segurança para essa
vulnerabilidade e medidas de mitigação. Não estavam aplicadas no HDES”,
lê-se no relatório da Microsoft sobre o ciberataque à unidade hospitalar
da maior ilha açoriana.A 24 de junho, o
Governo dos Açores informou ter sido detetada "uma tentativa de intrusão
externa no sistema informático" do hospital de Ponta Delgada, pelo que
foi acionado um plano de contingência."Tendo
sido detetada uma tentativa de intrusão externa no sistema informático
do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, o Conselho de
Administração informa que o mesmo está a funcionar com condicionantes,
resultantes da necessidade de o defender e de repelir qualquer ação
maliciosa", lia-se na nota enviada às redações nesse dia.