Relatório destaca tráfico humano como forma de crime organizado mais presente em África
28 de set. de 2021, 18:00
— Lusa/AO Online
Segundo
o relatório hoje publicado, com dados referentes a 2020, o tráfico
humano apresenta uma média de 5,93 pontos no continente africano - numa
escala entre um e dez -, tornando-o assim a forma de crime organizado
mais presente no território.Em segundo
lugar, surge o tráfico de armas (5,56), seguindo-se os crimes contra
recursos não renováveis – como a extração ilícita ou tráfico de minerais
–, com 5,44.Acima dos cinco pontos
ficaram também os crimes contra a fauna (5,39), como a caça furtiva, o
comércio ilegal e o tráfico de espécies protegidas pela CITES –
Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e Flora
Selvagens Ameaçadas de Extinção.No sentido
oposto, o tráfico de heroína obteve a média mais baixa do índice de
criminalidade, com 3,81 pontos, seguindo-se o tráfico de cocaína (4,10),
o tráfico de drogas sintéticas (4,34) e crimes contra a flora (4,73).Estas
formas são as selecionadas para a construção do Índice Global de Crime
Organizado, que além das formas de criminalidade, classifica os países
africanos com base noutro indicador, a resiliência à criminalidade
organizada.Este indicador é calculado com
base em fatores como a liderança política e governação, a transparência
governamental e responsabilização, a cooperação internacional, políticas
e leis nacionais, sistema judicial e detenção, execução da lei,
integridade territorial, sistemas anti lavagem de dinheiro, ambiente de
regulação económica, apoio a vítimas e testemunhas, prevenção e agentes
não-estatais.O continente africano apresenta uma média de 5,17 pontos na criminalidade e 3,8 pontos na resiliência.O
topo do índice criminal em África é ocupado pela República Democrática
do Congo (RDCongo), com uma pontuação de 7,75 pontos, seguindo-se a
Nigéria, com 7,15 pontos e a República Centro-Africana (RCA), com 7,04
pontos.Estes valores são obtidos através
do cálculo da média entre as formas de criminalidade e os agentes
criminais - como grupos que atuam como máfia, redes criminais, agentes
ligados ao Estado ou agentes criminais estrangeiros.Outros
nove países totalizaram mais de seis pontos no índice de criminalidade
organizada, sendo estes Quénia (6,95), África do Sul (6,63), Moçambique
(6,53), Sudão (6,46), Sudão do Sul (6,34), Camarões (6,31), Uganda
(6,14), Gana e Níger (ambos com 6,01).Por
outro lado, São Tomé e Príncipe (1,78), Essuatíni (3,63), Ruanda e
Seicheles (ambos com 3,68) ocupam o fundo da tabela da criminalidade
organizada em África.O indicador da
resiliência, que calcula o nível de preparação de um país para lidar com
a criminalidade organizada, é liderado em África por Cabo Verde, que
alcança uma pontuação de 6,33 pontos, com África do Sul (5,79) e Ilhas
Maurícias (5,67) a completarem o pódio.No
sentido oposto, o relatório refere que Líbia (1,54), Somália (1,67),
Sudão do Sul (1,83) e RCA (1,92) são os países africanos menos
preparados para combater a criminalidade organizada, ocupando quatro dos
últimos seis lugares entre os 193 países classificados.