Relatório de Migrações e Asilo de 2024 deve ser divulgado este semestre
15 de abr. de 2025, 15:54
— Lusa/AO Online
Falando
aos jornalistas após a abertura do Centro Local de Apoio à Integração
de Migrantes (CLAIM) na associação nepalesa Nialp, no Martim Moniz
(Lisboa), Pedro Portugal Gaspar explicou que os dados dos estrangeiros
segmentados por nacionalidade e local de residência serão divulgados até
final junho, procurando recuperar o atraso neste tipo de informações,
que eram divulgados no primeiro trimestre de cada ano.“Nós queremos encurtar o prazo para, pelo menos, não ultrapassar o primeiro semestre”, afirmou Pedro Portugal Gaspar.Os
novos dados já irão incluir a revisão estatística anunciada há uma
semana, com o governo em gestão e antes das eleições legislativas de
maio, que apontam para 1,6 milhões o número de estrangeiros residentes
em Portugal em 2024.Essa informação consta
do relatório intercalar da recuperação de processos pendentes na AIMA e
agora esses números serão apresentados de modo segmentado.Segundo
o documento apresentado na semana passada, no final de dezembro de 2024
estavam registados 1.546.521 cidadãos estrangeiros em Portugal, um
valor que "deverá ser corrigido em alta, previsivelmente em mais 50
mil", quando for concluído o tratamento dos pedidos de regularização ao
abrigo do “regime transitório” criado pela Assembleia da República.Este
regime abria a porta à regularização de quem estava já em território
nacional antes de 03 de junho de 2024, data em que foi eliminada a
figura da manifestação de interesse, um recurso jurídico que permitia a
obtenção do cartão de residente por quem tivesse descontos tributários,
apesar de ter entrado com visto de turismo.“Estimamos
agora, o mais tardar até em junho, mas possivelmente se calhar um pouco
antes, que consigamos ter a avaliação dos dados, principalmente a
componente das nacionalidades e a sua distribuição geográfica”,
explicou.Contudo, Pedro Portugal Gaspar
disse que “constatação” dos números indica “um crescimento proporcional
da área da migração lusófona”.Este aumento de cidadãos lusófonos, muitos deles ao abrigo do acordo de mobilidade, traz “uma vantagem no campo da integração”.O
dirigente admitiu que a “prioridade tem sido dada na resolução das
pendências das manifestações de interesses”, o que atrasou outros
processos, como o reagrupamento familiar.Tratam-se
de “provas de sprint e de resistência” e foi necessário investir na
regularização administrativa, explicou, considerando que tiveram de ser
tomadas “prioridades em função dos recursos existentes” na AIMA.Quanto
aos processos de reagrupamento familiar, que poderão aumentar ainda
mais o número de estrangeiros em Portugal, Pedro Portugal Gaspar
preferiu não se comprometer com o seu impacto demográfico.