Relatório da IGF mostra responsabilidades da administração sobre Alexandra Reis
TAP
7 de mar. de 2023, 09:22
— Lusa/AO Online
“Ficou
claro que havia responsabilidades do ponto de vista da gestão, da forma
como indemnização foi feita e na forma como saída a de Alexandra Reis
foi construída e o Governo tomou as decisões que tinha que tomar”,
referiu em declarações à agência Lusa o deputado socialista Carlos
Pereira.A IGF concluiu que o acordo
celebrado para a saída de Alexandra Reis da TAP é nulo, adiantou hoje o
Governo, que vai pedir a devolução da indemnização.Na
sequência das conclusões do relatório, o Governo exonerou o presidente
do Conselho de Administração e a presidente executiva da TAP, Manuel
Beja e Christine Ourmières-Widener, e anunciou que escolheu Luís Silva
Rodrigues, que atualmente lidera a Sata, para assumir ambos os cargos.Sobre
a nomeação de Luís Silva Rodrigues, o socialista vincou que a escolha é
feita para dar continuidade e “prosseguir o trabalho que tem sido
feito”, sublinhando os “bons resultados” da atual gestão.“Mas
parece-me que isto é muito importante para o tempo que a TAP precisa e a
serenidade que a TAP precisa neste momento difícil que está a passar,
extraordinário, muito desafiante”, defendeu Carlos Pereira.Questionado
sobre as exigências de mais responsabilidades políticas por parte dos
partidos da oposição, o deputado socialista apontou que o PSD “não
gostou do relatório da IGF”.“[O PSD] Tinha
uma espécie de ideia de que o relatório da IGF os ajudava a fazer
oposição bem feita, coisa que não têm feito e, portanto, como o
relatório da IGF não segue aquilo que são as intenções dos partidos da
oposição, (…) então desataram a procurar outras responsabilidades”,
frisou.Para Carlos Pereira, o relatório
não acrescenta nenhuma outra informação” que “possa levar a outras
responsabilidades políticas”.O também
coordenador do PS na comissão de inquérito sobre a TAP vincou ainda que
já ocorreram responsabilidades políticas relacionadas com a saída de
Alexandra Reis da TAP Sobre esta comissão, Carlos Pereira destacou que existem “ainda algumas perguntas que não foram respondidas”.“[A
comissão] Decorrerá com total normalidade. Os documentos ainda não
foram todos recebidos e este [o relatório da IGF] era um documento
central, mas ainda há outros que foram solicitados e que não foram
recebidos”, acrescentou.O socialista
apontou ainda para “uma questão que entrou na agenda da comissão
parlamentar de inquérito”, referindo-se ao “impacto que a compra dos
aviões teve no plano de reestruturação” da companhia aérea.“Aquela
compra dos aviões que tem sido noticiada, feita no quadro da
privatização e que fez com que o ator privado, o privado que [o Governo]
PSD e CDS encontrou para tomar conta da companhia, no fundo, tenha
comprado a companhia com dinheiro da própria empresa. E, portanto, isto
merece também uma análise. Acho que temos aqui matéria para, no quadro
da comissão parlamentar de inquérito, clarificar e ajudar a que de uma
forma rápida e com um grande sentido de responsabilidade, permitir
devolver a confiança que é preciso ter nesta empresa”, realçou.Na
semana passada, o PS acusou o antigo Governo PSD/CDS de ser cúmplice
com o facto de a compra da TAP ter sido feita com recursos da própria
companhia aérea, defendendo que esta "não foi privatizada, foi
oferecida" a David Neelman (antigo acionista da companhia).