Relatório confirma intimidações de antigo presidente do parlamento britânico a funcionários
8 de mar. de 2022, 15:34
— Lusa/AO Online
O
painel de especialistas independentes confirmou as conclusões
anteriores da comissária parlamentar para as normas de conduta, Kathryn
Stone, aceitando 21 queixas contra Bercow feitas por três atuais e
antigos funcionários.Uma
investigação de 22 meses sobre o comportamento do político ao longo de
12 anos encontrou insultos, humilhações e faltas de temperamento,
emitindo a recomendação de que Bercow deve ser proibido indefinidamente
de obter um passe de acesso ao Parlamento. “A
conduta do inquirido foi tão grave que, se ele ainda fosse deputado,
teríamos determinado que deveria ser expulso por resolução da Câmara”,
lê-se no relatório.Bercow qualificou as conclusões como o resultado de uma “perseguição vingativa”.“O
caso contra mim teria sido rejeitado por qualquer tribunal do país, uma
vez que é baseado na mais frágil das evidências, enraizado em boatos e
rumores infundados, e promovido por dogmáticos da velha escola,
decididos a resistir à mudança a todo o custo e agora acertando algumas
contas antigas comigo”, disse.Bercow
tornou-se numa celebridade mundial durante os debates parlamentares
sobre o processo do Brexit, tentando controlar os deputados gritando com
um efusivo "Ordem!".A
sua interpretação ativista do papel do presidente da Câmara dos Comuns e
decisões controversas para permitir aos deputados contestarem o Governo
tornaram-no num herói para os opositores à saída da União Europeia, um
vilão para os defensores do ‘Brexit' e um estorvo para a então
primeira-ministra Theresa May."Considero o Brexit o maior erro de política externa desde a II Guerra Mundial”, disse, após deixar as funções.Bercow
também irritou os políticos de direita ao dizer em 2017 que o
presidente norte-americano Donald Trump não deveria ter permissão para
discursar no Parlamento britânico durante uma visita de Estado ao Reino
Unido, uma honra dada a alguns de seus antecessores.Inicialmente
eleito deputado pelo Partido Conservador, Bercow deixou o cargo em
2019, após uma década como ’speaker’, e posteriormente aderiu ao Partido
Trabalhista.O
relatório parlamentar conclui que “cabe aos
historiadores julgar se o entrevistado foi um presidente reformador
bem-sucedido da Câmara dos Comuns”.