Relator da ONU diz que talibãs querem tornar as mulheres “invisíveis”
Afeganistão
26 de mai. de 2022, 12:14
— Lusa/AO Online
Desde o seu regresso ao poder em
agosto passado, os talibãs impuseram uma série de restrições à sociedade
civil, muitas das quais visam subjugar as mulheres à sua conceção
fundamentalista do Islão.Estas restrições
impediram que as mulheres tenham acesso a grande parte dos empregos
públicos, restringiram o seu direito de viajar e impediram as raparigas
de frequentar o ensino médio.No início de
maio, o líder supremo dos talibãs emitiu uma ordem para que as mulheres
se cubram totalmente em público, incluindo o rosto, de preferência com a
burca, um véu que cobre o rosto inteiro e possui uma abertura em forma
de rede na zona dos olhos.Todas essas
medidas “descrevem um modelo de total segregação sexual e visam tornar
as mulheres invisíveis na sociedade”, disse Richard Bennett numa
conferência de imprensa na capital afegã, ao final de uma visita de 11
dias ao país.As autoridades talibãs "não
reconheceram a escala e a gravidade dos abusos cometidos [aos direitos
humanos], muitos deles em seu nome", acrescentou.Bennett
fazia estas declarações enquanto os talibãs dispersavam um protesto de
mulheres que pediam a reabertura de escolas secundárias para as
raparigas."Cerca de 45 mulheres e
raparigas estavam presentes no protesto, mas forças talibãs, em cólera,
vieram e dispersaram-nos", disse à agência de notícias AFP Munisa
Mubariz, organizadora da manifestação.A 23 de março, os talibãs ordenaram o encerramento de todas as escolas
secundárias para raparigas, poucas horas depois de abrirem pela primeira
vez desde que o movimento islâmico assumiu o poder.O
Governo até agora não deu uma razão clara para a decisão de
encerramento, mas as autoridades disseram que as escolas reabrirão em
breve, sem mais detalhes.A comunidade
internacional fez do respeito pelos direitos humanos, especialmente das
mulheres, um pré-requisito nas negociações para o envio de ajuda e para o
reconhecimento do regime islâmico.As
novas restrições impostas às mulheres confirmam a radicalização dos
talibãs, que inicialmente tentaram mostrar uma face mais aberta do que
durante a sua passagem anterior no poder (1996 a 2001).Os
talibãs, neste primeiro período, privaram as mulheres de quase todos os
seus direitos, em particular impondo-lhes o uso da burca.