Rejeitada proposta do PAN/Açores para utilização de pirotecnia silenciosa
10 de jul. de 2024, 09:41
— Lusa/AO Online
A proposta do
deputado do PAN Pedro Neves foi rejeitada com 22 votos contra do PSD, 21
do PS, quatro do Chega, dois do CDS-PP, um do PPM e outro da IL e dois
votos a favor do PAN e do BE.Segundo
Pedro Neves, estão circular duas petições que dão conta do
“descontentamento generalizado da população com a utilização de artigos
de pirotecnia que proliferam na região de forma descontrolada e com
escassa fiscalização, desrespeitando as regras de controlo de ruído e
causando danos, alguns irreversíveis, como a morte de animais e perda de
membros superiores”.Alertou que “são
lançados e rebentados foguetes a qualquer hora do dia e da noite” nas
malhas urbanas, que configuram perigo para as pessoas e para os animais.Assim,
por existirem alternativas, o deputado único do PAN reivindicou a
abolição da prática da pirotecnia ruidosa e propôs a transição gradual
para a silenciosa.No debate que se seguiu,
o deputado José Pacheco (Chega) alertou que o diploma “vai contra
aquilo que é a vontade da maioria das pessoas”: “Vamos aprovar uma lei
para condicionar a tradição do meu povo? Com o Chega jamais vão contar”.Por
sua vez o deputado Luís Soares (PSD) lembrou que quando um foguete é
lançado, é produzido um som que vai comunicar e que o mesmo está
“intrinsecamente ligado” às tradições açorianas“Substituir
o foguete por luz ou por baixa intensidade sonora, não me parece que
seja de todo viável”, assumiu o social-democrata.O
socialista Lubélio Mendonça aludiu à tradição da pirotecnia no
arquipélago para dizer que o partido não iria acompanhar a iniciativa do
PAN.Já António Lima, do BE, disse que
acompanhava a iniciativa do PAN, atendendo a que “todas as tradições
evoluem” e pretende-se que a pirotecnia “seja mais adequada e tenha
menos impacto na vida das pessoa e dos animais”.João
Mendonça (PPM) disse que a proposta de passagem a pirotecnia silenciosa
pode ser “sensata”, mas na prática “compromete a riqueza” das
festividades açorianas.O deputado do
CDS-PP Pedro Pinto justificou que o partido votaria contra a iniciativa
por admitir que, com a proposta, o PAN “está contra as tradições
seculares” açorianas.Para Nuno Barata
(IL), apesar de a proposta ser “extremamente radical”, está em causa
ouvir foguetes “às duas, às três e às quatro horas da manhã” ou
concertos de música pela madrugada, existindo cidadãos que se queixam
“que não conseguem dormir”.O secretário
regional do Ambiente e Ação Climática dos Açores, Alonso Miguel, referiu
que o projeto de resolução do PAN apresentava “um conjunto de
incongruências que são difíceis de ultrapassar”.Recordou
que o PAN apresentou na Assembleia da República uma iniciativa de igual
teor que também foi chumbada: “Quer a iniciativa apresentada a nível
nacional, quer a iniciativa que agora analisamos, sofrem, no
entendimento do Governo [Regional], do mesmo tipo de limitações”.Alonso
Miguel referiu ainda que relativamente aos impactos ambientais
relacionados com o lançamento dos foguetes, na proposta “não é
apresentada qualquer fundamentação técnica relativamente a ganhos
ambientais que essa transição pudesse trazer” para a região.“Para
além de todas as insuficiências desta proposta de diploma, a grande
questão é que o PAN quer promover uma mudança substancial sem, de forma
alguma, ter uma fundamentação rigorosa”, rematou.