Rejeitada proposta do BE/Açores para travar incineradora na ilha de São Miguel
12 de dez. de 2019, 10:31
— Lusa/AO Online
O documento mereceu os votos contra de
PS, PSD e CDS, não tendo o PCP estado presente na sessão aquando da
votação e tendo a deputada independente Graça Silveira, que recentemente
saiu da bancada dos centristas, decidido pela abstenção."Uma
incineradora já funciona nos Açores, com problemas e com capacidade em
demasia. Mas os presidentes de câmara de São Miguel e o Governo Regional
querem mais uma em São Miguel. Para eles, esse negócio tem de avançar. A
incineradora une Ricardo Rodrigues do PS e José Manuel Bolieiro,
candidato a presidente do PSD, com o beneplácito do Governo Regional
presidido por Vasco Cordeiro", considerou o líder do BE/Açores, António
Lima, falando na apresentação do texto.Para
o bloquista, é até "irónico" que o "atribulado processo de construção
de uma central incineradora em São Miguel, idealizado há anos por outros
protagonistas", ainda não se tenha concretizado "por manifesta
incompetência e até devido à prática de atos ilegais no último concurso
público". O CDS, pelo deputado Alonso
Miguel, definiu como "principal preocupação" neste campo o facto de 71%
dos resíduos serem "enviados para aterro sanitário", o que representou
65 mil toneladas de lixo em 2018, número que considera "inaceitável"."Sabemos
que estas iniciativas de defesa do ambiente passam uma boa imagem, é
uma defesa bonita e ecológica, mas, se este projeto fosse aprovado, o
que faríamos com essas 65 mil toneladas que vão para aterro?",
questionou o centrista.Ainda na bancada do CDS, o líder parlamentar, Artur Lima, considerou que a proposta do BE "nem incinerada se salvava"."O
senhor não diz como é que vai resolver o problema do lixo, é isso que o
senhor devia dizer", disse Artur Lima, dirigindo-se ao líder do Bloco
na região.O PSD, pela deputada Catarina
Furtado, declarou não poder viabilizar um projeto de resolução que impõe
"limitações" às opções a tomar no campo do lixo, defendendo a
parlamentar que "todas as opções têm de estar em aberto" nesta matéria.Já
o PS, pelo deputado João Paulo Ávila, defendeu haver da parte da
Assembleia Legislativa dos Açores uma "clara atitude de respeito para
com as decisões unânimes por parte de todas" as autarquias de São
Miguel."As câmaras não dependem deste
parlamento, dependem do povo que as elege. E têm total liberdade de
decisão sobre esta matéria", acrescentou o deputado socialista.O
PPM, que acompanhou o Bloco no voto favorável, considerou que as
incineradoras "atacam o ambiente, têm um elevado custo económico e
significam uma ameaça à saúde e aos residentes e turistas""Gostava
de ter um PS com sensibilidade ambiental nos Açores", sublinhou o
deputado monárquico, Paulo Estêvão, que trouxe a debate o exemplo das
Canárias, que têm, advoga, uma "forma equilibrada e não poluente de
tratar resíduos", e sem "interesses envolvidos", ao contrário do que diz
suceder na região autónoma portuguesa.No
início de dezembro, os seis municípios de São Miguel decidiram avançar
com um novo concurso para a construção de uma incineradora na ilha
açoriana, com menos 30% da capacidade inicialmente prevista, anunciou
então o presidente da Musami-Operações Municipais do Ambiente.Ricardo
Rodrigues, que é também presidente da Câmara Municipal de Vila Franca
do Campo, declarou aos jornalistas que foi decidido avançar com o
tratamento mecânico dos resíduos, projeto a adjudicar na próxima reunião
do conselho de administração da empresa e orçado em 4,3 milhões de
euros. O Tribunal Administrativo e Fiscal
de Ponta Delgada decidiu anular em outubro a adjudicação da construção
de uma incineradora em São Miguel ao consórcio Steinmuller Babcok
Environment/CME, por parte da Musami.Em
dezembro de 2016, a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel
decidiu, por unanimidade, avançar com a construção de uma incineradora
de resíduos, orçada em cerca de 60 milhões de euros.