Reitores exigem ao Governo "acesso facilitado" aos fundos comunitários

Ensino superior

28 de nov. de 2019, 17:07 — Lusa/AO online

Governo e universidades assinam, na sexta-feira, o “Contrato de Legislatura” 2020-2023, que, para as instituições de ensino superior significa “confiança” e “estabilidade”, segundo um comunicado enviado à Lusa pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP).Ao renovar o “Contrato de legislatura”, o Ensino Superior vai receber mais 55 milhões de euros no próximo ano e tem garantido um reforço 2% ao ano até 2023. No entanto, os reitores lembram que precisam de se preparar para o “enorme desafio” da próxima década, que passa, entre outras medidas, por mudanças da sua oferta pedagógica.Para que tal seja possível, é preciso dar às universidades "um acesso facilitado às verbas europeias do próximo ciclo 2021-2027”.Os reitores lembram que algumas instituições têm tido dificuldades no acesso aos fundos europeus por causa dos critérios definidos que, muitas vezes, restringem a atribuição de apoios. Por isso, o presidente do CRUP, Fontainhas Fernandes, defende que “o novo quadro de verbas europeias deverá ser desenhado para dar respostas expeditas a investimentos que só podem ser avaliados pela sua qualidade científica intrínseca”.Fontainhas Fernandes volta a alertar que os critérios de atribuição de financiamento “não podem inviabilizar os critérios da agenda científica”.Os reitores defendem que as instituições precisam mudar no que toca às metodologias de ensino e de investigação, mas também melhorar as instalações e equipamentos.Tal como aconteceu no início do ano, os reitores vão realizar novas sessões sobre a Convenção do Ensino Superior 2020/2030, que agora irão estar focadas na inovação, na renovação da oferta pedagógica e nos métodos de ensino. O “papel do ensino superior na coesão territorial” e os “novos modelos de governo das universidades” serão outros dos focos da convenção. “É preciso preparar a universidade para o século XXI”, defendeu o presidente do CRUP, que é também reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.A pensar nas mudanças necessárias para que as universidades portuguesas não fiquem para trás, o CRUP lembra que é preciso ter acesso a verbas para pôr em prática os projetos.O CRUP defende que é preciso avaliar os investimentos tendo em conta a sua qualidade científica, mas que as universidades só conseguirão responder se tiverem acesso a verbas europeias.“Para além do Contrato de Legislatura até 2023, é necessário que o Governo garanta o acesso efetivo das universidades às verbas europeias do ciclo financeiro 2021-2027 da União Europeia, única forma de estas poderem fazer face a todos os investimentos que terão de lançar para concretizarem a nova agenda que pretendem construir”, defendeu Fontainhas Fernandes.