Reitores alertam para necessidade de aumentar financiamento da nova agência de investigação
16 de nov. de 2025, 18:02
— Lusa
"Os instrumentos
financeiros ao dispor da nova agência são a soma dos que já existiam na
FCT [Fundação para a Ciência e Tecnologia] e na ANI [Agência Nacional de
Inovação], que o diagnóstico realizado mostrou serem insuficientes",
defende, em comunicado, o CRUP, acrescentando que "é necessário ir além
destes, de forma a promover uma melhor ligação entre o conhecimento e a
economia".Além da insuficiência de
instrumentos financeiros para a inovação, o Conselho mostra-se
preocupado com o risco de uma "proteção insuficiente da ciência
fundamental", definida pela curiosidade e com horizontes a longo prazo,
por contraponto com a cultura de inovação, definida por missões por
retorno económico a curto prazo."O
financiamento da investigação não é garantido por lei, aumentando a
vulnerabilidade dos fundos da Ciência (Orçamento do Estado) face aos da
Inovação (historicamente suportada por fundos estruturais, agora em
decréscimo", sustenta.Para mitigar estes
riscos, o CRUP propõe, por um lado, que a AI2 seja "mandatada e dotada
de instrumentos financeiros que permitam mobilizar eficazmente o
conhecimento para a economia", e, por outro, que a dotação orçamental
para a Ciência seja "fixada em lei, como percentagem do orçamento da
agência ou do Orçamento do Estado".Na
nota, o Conselho critica ainda o facto de a proposta do Governo se focar
"numa reorganização administrativa que afasta a atenção da necessária
reforma cultural" do sistema científico e de inovação português.Os
reitores apelam, por isso, a que exista primeiro uma reforma da cultura
e instrumentos da FCT e da ANI, "alinhando-os com o impacto e a
valorização do conhecimento", e que, uma vez concluída esta fase, seja
reavaliada "a pertinência da fusão"."O
CRUP concorda com a necessidade de uma reforma urgente e profunda da FCT
e reitera a sua permanente disponibilidade para contribuir de forma
construtiva nos processos", salienta.O
decreto-lei de criação da AI2 foi aprovado pelo Conselho de Ministros em
04 de setembro e, depois de ter estado na Presidência da República para
promulgação, regressou às mãos do Governo, que anunciou, em 04 de
novembro, algumas alterações ao diploma para responder às preocupações
de Marcelo Rebelo de Sousa.No mesmo dia, o
executivo começou a ouvir representantes das comunidades científica e
de inovação para discutir o decreto-lei e estatutos da agência, antes de
voltar a aprovar o diploma em Conselho de Ministros, para que seja
depois devolvido ao Presidente da República.