Reitor deixa mensagem de esperança: "Não estamos abandonados por Jesus"

17 de mai. de 2020, 13:13 — Nuno Martins Neves/Igreja Açores

Durante a homilia, e visivelmente emocionado, o sacerdote que ficará na história como o primeiro reitor do Santuário a ter de decidir o cancelamento das festas religiosas mais importantes dos Açores, organizadas pela Igreja, quis, no entanto, deixar uma palavra de esperança para todos os devotos do Senhor Santo Cristo, elogiando o comportamento dos fiéis que respeitaram as decisões da reitoria do Santuário. O sacerdote lembrou as inúmeras pessoas que ao longo destes dias têm marcado presença no Campo de São Francisco e destacou a “serenidade e tranquilidade com que o fizeram”.“O silêncio que se tem vivido aqui foi bonito ; a forma ordeira e serena com que tudo tem acontecido tornou este silêncio num silêncio cheio de sentido. Por isso, não é de todo descabido que todos nós açorianos e devotos continuemos a pedir que este seja o Campo do Senhor: um campo sagrado, de silêncio e de oração”.“Este milagre do respeito, do distanciamento social, de todos sabermos comportar-nos neste tempo é uma oportunidade que deve dar grande alegria à nossa cidade e a todos os açorianos”.“Não pode haver sinos, foguetes ou manifestações publicas, mas podemos venerar Cristo em nossos corações” exortou deixando uma palavra de esperança.“São muitas as cordas que nos amarram e nos tornam impotentes, muitas são as responsabilidades; são inúmeros os mantos que pesam sobre nós e se tornam pesados demais ; muitos são os espinhos que atravessam o nosso pensamento, o nosso coração e a nossa vida, mas são esses espinhos, esse manto e essas cordas que Jesus Cristo assumiu para si para que nós fossemos livres, para que nós fossemos felizes”, disse.“A imagem hoje não sai à rua nem os devotos podem vir ao seu Santuário, mas o Senhor Santo Cristo não está fechado: Ele quer estar fechado e enclausurado no nosso coração; temos de ser capazes de lhe abrir a nossa vida e o nosso coração”, afirmou.“Não estamos abandonados por Jesus: até podemos sentir uma certa orfandade mas Jesus não nos deixará de auxiliar, nunca”, reiterou destacando um dos aspectos que mais se salienta nesta imagem do Ecce Homo e que é o seu olhar.“Uma das coisas que mais nos impressiona é a forma como ela nos olha, independentemente do ângulo ou do lugar onde nos encontramos” afirmou.“Diante desta imagem extraordinária, percebemos como os olhos de Jesus estão sempre postos em nós. É um olhar que nos toca e nos vê tal como somos”. E terminou: “ Ele é mais íntimo de nós do que nós somos de nós mesmos e o seu olhar diz-nos apenas: amo-te, amo-te, amo-te, sem nos julgar”.No final da celebração foi lida uma mensagem do Bispo de Angra que exorta à esperança e à serenidade.O reitor do santuário deixou ainda a confirmação avançada já pelo Igreja Açores na passada sexta feira de que o cardeal português D. José Tolentino Mendonça será o presidente da Festa no próximo ano, ele que também já “se assumiu como um devoto do Senhor Santo Cristo” disse o Cónego Adriano Borges, que lembrou o bispo emérito de Angra que hoje celebra 50 anos de sacerdócio. D. António de Sousa Braga foi ordenado a 17 de maio de 1970, em Roma, pelo Papa Paulo VI.