Reino Unido insta UE a alterar propostas se quiser chegar a um acordo
Brexit
20 de mai. de 2020, 10:07
— Lusa/AO Online
“Espero que nas próximas semanas a
União Europeia pense novamente nas suas propostas de uma maneira que
permita encontrar um resultado rápido e construtivo”, disse o negociador
chefe britânico, David Frost, citado pela agência France-Presse,
através de uma carta enviada ao homólogo europeu, Michel Barnier. A
missiva foi enviada cinco dias depois de uma terceira ronda de
negociações entre Londres e Bruxelas sem progressos significativos.Na
opinião de Frost – que também é conselheiro do primeiro-ministro
britânico, Boris Johnson, para os assuntos europeus – o que está em cima
da mesa das negociações “não é uma relação justa de livre comércio
entre parceiros económicos próximos, mas um acordo de qualidade
relativamente baixa, acompanhado por uma vigilância sem precedentes da
União Europeia” das leis e instituições do Reino Unido.O
diplomata britânico acrescenta que a UE, “em vez de tentar concluir
rapidamente uma série de acordos de alta qualidade com um parceiro
económico próximo, insiste em disposições adicionais, desequilibradas e
sem precedentes em toda uma série de campos, como pré-requisito para um
acordo”.As negociações entre Londres e
Bruxelas deverão ser retomadas em 01 de junho e qualquer extensão do
período previsto para a chegada a um acordo sobre o novo relacionamento
Reino Unido – UE, que termina no final de dezembro, deverá ser pedida
até 01 de julho.Contudo, o chefe do
Governo britânico – que venceu as eleições legislativas e conseguiu
cumprir a promessa eleitoral de alcançar o 'Brexit' até 31 de janeiro –
recusou categoricamente as propostas apresentadas, apesar de estar
ciente do risco que esta rejeição poderá significar para a economia
britânica, por causa da pandemia.O Reino
Unido abandonou oficialmente o bloco de 27 países em 31 de janeiro, mas
permanece dentro do espaço económico e regulatório da UE até o final do
ano, durante o chamado período de transição. O
acordo de saída entre o Reino Unido e a UE permite que o prazo seja
prorrogado por dois anos, mas o governo de Boris Johnson não quer o
prolongamento para além de 31 de dezembro.Resta
apenas mais uma ronda, com início a 01 de junho, antes de as duas
partes fazerem um balanço, tendo Londres admitido no seu plano abandonar
as negociações se não tiver sido feito suficiente progresso.