Reino Unido aumenta período de isolamento para infetados de sete para 10 dias
Covid-19
30 de jul. de 2020, 10:38
— Lusa/AO Online
O aumento do período
de isolamento em três dias para pessoas com tosse contínua, temperatura
alta ou perda de paladar e olfato passa assim a estar alinhado com as
orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciadas no início
de junho. A mudança é resultado de estudos
que concluíram que o vírus pode ser transmitido mais tarde após a
infeção do que se pensava e que o risco de contágio diminui após cerca
de 10 dias. “Os indícios, embora ainda
limitados, reforçaram-se e mostram que as pessoas com covid-19 que estão
levemente doentes e estão a recuperar têm uma possibilidade baixa, mas
real, de infecciosidade entre sete e nove dias após o início da doença”,
justificaram os diretores gerais de saúde de Inglaterra, Escócia, País
de Gales e Irlanda do Norte, num comunicado conjunto.A
recomendação aos familiares ou contactos próximos da pessoa infetada
vão manter-se inalteradas, devendo ficar em auto isolamento durante 14
dias, já que os sintomas podem demorar a surgir.O
anúncio acontece numa altura em que o número crescente de casos na
Europa está a preocupar as autoridades de saúde do Reino Unido, que
também enfrenta vários surtos no norte e noroeste. Em
Oldham, perto de Manchester, o número de casos de infeção quadruplicou
numa semana, ultrapassando Leicester, e em Rochdale também subiram
significativamente, levando à imposição de restrições locais. Em declarações hoje à Sky News, o ministro da Saúde, Matt Hancock, disse estar "preocupado com uma segunda vaga” de infeções.“É
possível ver uma segunda vaga a começar a avançar pela Europa e temos
de fazer tudo o que pudermos para impedir que ela chegue a este lado e
enfrentá-la", disse.Na entrevista, o
ministro não desmentiu a especulação de que a quarentena exigida aos
passageiros que chegam do estrangeiro ao Reino Unido pode ser reduzida
de 14 para 10 dias. “Estamos sempre a ver
como podemos reduzir o fardo das medidas que temos de implementar, e é
algo em que estamos a trabalhar há algum trabalho, mas só vamos
apresentar uma proposta quando estivermos confiantes de que é seguro
fazê-lo”, vincou.Cerca de 50 empresas do
setor do turismo, incluindo companhias aéreas, aeroportos e agências,
como British Airways, EasyJet, Heathrow e TUI, publicaram uma carta
conjunta pedindo ao governo uma “abordagem mais subtil” das regras de
quarentena, sugerindo a "introdução rápida" de corredores de viagem
regionais em vez de restrições aplicadas a nível nacional.O
Governo britânico tem resistido às sugestões para fazer testes de
diagnóstico aos passageiros que entrem no país devido à ineficácia da
medida, pois o resultado pode ser negativo apesar de a pessoa estar
infetada. O Reino Unido registou até quarta-feira 45.961 mortes durante a pandemia covid-19 em 301,455 casos de contágio confirmados.