Rei da Jordânia diz que conflito representaria "caos indescritível"

EUA/Irão

15 de jan. de 2020, 14:38 — Lusa/AO Online

“E se da próxima vez, nenhum dos lados der um passo atrás e nos arrastarem a todos para um caos indescritível?”, referiu o monarca no hemiciclo do Parlamento Europeu em Estrasburgo, numa altura em que as tensões entre Teerão e Washington parecem ter diminuído um pouco em relação à semana passada.“Uma guerra total põe em risco a estabilidade de toda a região. Além disso, pode perturbar massivamente toda a economia mundial (...) e provocar um ressurgimento do terrorismo em todo o mundo”, avisou o rei jordano, que já havia mostrado na segunda-feira, em declarações ao canal France 24, a sua preocupação pelo eventual “ressurgimento” do grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico no Iraque e na Síria.“O que acontece no Médio Oriente tem repercussões em todo o mundo”, disse em inglês Abdullah II, monarca de um dos poucos países da região que desfruta de relativa estabilidade.“E se a Síria permanecer refém das rivalidades internacionais e voltar a entrar em guerra civil? E se testemunharmos um ressurgimento do [grupo ‘jihadista’] Estado Islâmico e a Síria se tornar uma base para ataques contra o resto do mundo?”, questionou.O Iraque, onde a paz se mantém “frágil”, ainda corre o risco de “regressar a um ciclo errático (...), ou, pior, a entrar num conflito”, alertou Abdullah II.E na Líbia - uma das principais preocupações internacionais atuais, a par do Irão -, “o que aconteceria se se afundasse numa guerra total (...) se se tornasse numa nova Síria, apenas muito mais perto da Europa?”, perguntou aos eurodeputados.O rei da Jordânia também se concentrou na “ferida mais profunda” da região: o conflito entre Israel e palestinianos.“Os perigos aumentaram”, alertou Abdullah II.“Eu já disse isto inúmeras vezes e de inúmeras maneiras, mas vou repetir: um mundo em paz não é possível sem um Médio Oriente estável. E um Médio Oriente estável não é possível sem paz entre palestinianos e israelitas”, afirmou, arrancando palmas aos eurodeputados.