Regularização de estrangeiros nos Açores na RIAC de todas as ilhas até final verão
Hoje 17:26
— Lusa/AO Online
“É
muito importante que a regularização da residência dos estrangeiros
possa ser feita a nível das lojas da RIAC [Rede Integrada de Apoio ao
Cidadão], através do protocolo com a AIMA - Agência para a Integração,
Migrações e Asilo, que tem como objetivo uma cobertura total das ilhas
dos Açores até final do verão”, afirmou Paulo Estêvão.O
governante presidiu hoje à sessão inaugural do IV Fórum das Migrações,
na ilha do Corvo, a mais pequena dos Açores, destacando a profunda raiz
migratória do povo açoriano e a “integração e tolerância” para com quem
chega às nove ilhas.“Vamos ter
oportunidade de ter essas respostas a nível de ilha, o que é muito
importante, porque até há pouco tempo essa regularização era mais
difícil, pois as pessoas tinham de se deslocar ao Faial, à Terceira ou
São Miguel”, sublinhou, intervindo por via digital a partir de Lisboa.Paulo
Estêvão sublinhou que estas respostas descentralizadas “vão melhorar
muito a capacidade de responder aos problemas” das pessoas.Segundo
o governante, trata-se de um esforço contínuo do Governo dos Açores que tem sido alavancado pelo trabalho articulado com a
AIMA - Agência para a Integração, Migrações e Asilo, e com parceiros
sociais no terreno, como a Associação dos Imigrantes nos Açores (AIPA) e
a CRESAÇOR.Na sua intervenção, o
secretário regional sublinhou ainda os desafios demográficos enfrentados
pelas ilhas do grupo Ocidental (Corvo e as Flores) que registaram uma
acentuada diminuição populacional ao longo das últimas décadas.De
acordo com dados que referiu, a ilha do Corvo conta atualmente com 384
habitantes, sendo que cerca de metade da população não nasceu na ilha, o
que evidencia "o papel determinante" das migrações na sustentabilidade
demográfica local.Paulo Estêvão destacou o
exemplo de integração vivido na mais pequena ilha dos Açores, apontando
a importância de garantir condições para fixar população, nomeadamente
nas áreas da habitação, mobilidade, educação e saúde.O
secretário regional das Comunidades recordou que já é possível aos
alunos completarem todo o percurso pré-universitário no Corvo,
assinalando melhorias nas respostas de saúde, embora reconheça a
necessidade de progressos na mobilidade e, sobretudo, na habitação, que
disse ser “o maior desafio” atual.Já o
presidente da Câmara Municipal do Corvo, Marco Silva, defendeu a
implementação de um modelo de imigração “regulada e humanista”,
sublinhando a necessidade de políticas públicas que garantam
financiamento adequado para o acolhimento, integração e combate à
exploração.Para o autarca, o futuro das
migrações deve ser encarado como “um pilar estrutural” de um modelo de
desenvolvimento sustentável, conciliando a valorização dos migrantes com
a preservação da identidade cultural e a segurança das comunidades.Na
sequência das três edições anteriores, realizadas entre 2023 e 2025 nas
ilhas do Faial, Pico, São Miguel e Terceira, o IV Fórum das Migrações
reafirma "o compromisso do Governo dos Açores com a promoção do diálogo,
da cooperação e da inclusão, consolidando o papel da região como ponte
entre comunidades e culturas", sublinha o executivo açoriano.Subordinado
ao tema “Migrações na Ultraperiferia Atlântica: Desafios, Oportunidades
e Futuro da Mobilidade Humana na Ultraperiferia”, o fórum reúne
especialistas, académicos, entidades públicas e organizações da
sociedade civil.O evento, que decorre até
sexta-feira, estendendo-se também à ilha das Flores, "foca-se nos
desafios e oportunidades da mobilidade humana, colocando a Região
Autónoma dos Açores na vanguarda das políticas de acolhimento na
ultraperiferia", acrescenta o Governo açoriano.No
encontro marcam presença Pedro Portugal Gaspar, presidente do conselho
diretivo da AIMA, e Vasco Malta, chefe de Missão da OIM - Organização
Internacional das Migrações em Portugal.