Regulador recomenda que farmácias vendam no máximo duas embalagens do medicamento Kreon
28 de jun. de 2024, 14:07
— Lusa
Numa
circular informativa, a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed)
adianta que o Kreon, contendo pancreatina, apresenta dificuldades de
abastecimento a nível europeu que deverão se prolongar nos próximos dois
anos.Segundo o documento, esta situação
deve-se a uma limitação na capacidade de produção associada ao aumento
da procura a nível global, o que vai “resultar em situações de escassez
de fornecimento, que ocorrerão de forma intermitente”. A
empresa Viatris Healthcare estima que a situação se resolva no segundo
semestre de 2026, com o aumento do fabrico destes medicamentos, refere
ainda o Infarmed.Em causa está um
medicamento que contêm enzimas pancreáticas (amilase, lipase e protease)
e que é usado no tratamento da insuficiência pancreática exócrina, ou
seja, situações em que o pâncreas não produz uma quantidade suficiente
de enzimas. “São exemplos destas
situações, a fibrose quística, a pancreatite crónica, cancro pancreático
e gástrico e a pancreatectomia”, refere o Infarmed, ao adiantar que a
pancreatina se encontra incluída na lista de medicamentos essenciais de
natureza crítica.Perante isso, a circular
recomenda às farmácias que a dispensa do Kreon seja efetuada apenas até
um mês de tratamento, o que corresponde, no máximo, a duas embalagens,
para que a quantidade disponível possa colmatar as necessidades de todos
os doentes em tratamento.“Para que seja
possível garantir uma gestão criteriosa das quantidades disponíveis, as
farmácias devem abster-se de dispor de quantidades elevadas destes
medicamentos em stock”, adianta ainda o documento.Já
em relação aos médicos, o Infarmed recomenda que a prescrição do
medicamento seja limitada à dose mínima eficaz, no caso de doentes que
já se encontrem em tratamento e não seja possível a prescrição de
alternativa terapêutica.A exportação deste
medicamento encontra-se proibida e assim se manterá até que o
abastecimento esteja normalizado, refere ainda o Infarmed, ao adiantar
que, de acordo com a farmacêutica, “será possível evitar a interrupção
de fornecimento através de uma gestão mais criteriosa dos stocks
disponíveis” em Portugal, em articulação entre todos os agentes do
circuito do medicamento e o regulador.