Regresso da energia em Portugal e Espanha monitorizado desde o espaço
Apagão
13 de mai. de 2025, 10:43
— Lusa/AO Online
As
imagens noturnas dos satélites Suomi-NPP, NOAA-20 e NOAA-21 da NASA
captaram a extensão da interrupção e monitorizaram a recuperação gradual
de energia desde o espaço.Nestes registos
são visíveis áreas com cortes de energia prolongados e com o
fornecimento de energia restabelecido durante a noite, noticiou na
segunda-feira a agência Europa Press.Os
três satélites, orbitando a Terra de polo a polo, fizeram seis passagens
sobre Espanha e Portugal entre o anoitecer e o amanhecer, já no dia 29
de abril. Cada passagem forneceu um registo instantâneo da evolução da situação da rede elétrica.As
seis imagens ilustram a cronologia e o mapeamento do apagão, desde as
primeiras órbitas ao anoitecer até à recuperação quase total por volta
das 05:00 (04:00 em Lisboa). "Sobrepondo
as seis passagens de satélite e aplicando os algoritmos noturnos da
NASA, podemos identificar grandes pontos verdes que aparecem subitamente
e desaparecem gradualmente", explicou Alejandro Sánchez de Miguel,
investigador do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) e líder
de várias iniciativas apoiadas pela Agência Espacial Europeia (ESA, na
sigla em inglês) que monitorizam a poluição luminosa do espaço, em
comunicado."Os pontos verdes indicam falta
de energia, enquanto os pontos brancos mostram áreas com energia
estável. Esta distribuição é consistente com os relatórios das empresas
de energia e o regresso gradual à normalidade", acrescentou Sánchez de
Miguel.De acordo com a ESA, esta disrupção
generalizada destaca como as ferramentas de monitorização baseadas no
espaço podem ajudar a avaliar a resiliência da infraestrutura, priorizar
reparações e facilitar respostas de emergência.Aeroportos
fechados, congestionamento nos transportes e no trânsito nas grandes
cidades e falta de combustíveis foram algumas das consequências do
apagão.A Rede Europeia de Gestores de
Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês)
anunciou a criação de um comité para investigar as causas deste apagão,
que classificou como “excecional e grave”, e que deixou Portugal e
Espanha às escuras.Este painel de peritos
terá de elaborar um relatório factual que constituirá a base do
relatório final até o prazo máximo de 28 de outubro deste ano. Já o
relatório final sobre a investigação do incidente deverá ser publicado, o
mais tardar, até 30 de setembro de 2026.